Restauração da Trilha da Pedra Lisa custará R$ 2,4 mi

Projeto do IPT é até 2013 recuperar uma das primeiras ligações pela Serra do Mar entre o litoral sul e o planalto

Elvis Pereira / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2011 | 00h00

Considerada uma das primeiras ligações da Baixada Santista com o planalto, a Trilha da Pedra Lisa, no Parque Estadual da Serra do Mar, passará por um processo de recuperação após anos de maus-tratos. Pela primeira vez é possível medir em valores os danos feitos por aventureiros que se embrenharam nesse santuário: R$ 2,4 milhões. Esse é o custo do projeto preparado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para restaurá-la até 2013. É, também, o prejuízo causado pelos golpes de facões que descaracterizaram o trajeto original da trilha e o despejo irresponsável de lixo.

A trilha inteira, que está fechada desde 2007, estende-se por 6 km, da Vila de Paranapiacaba, Santo André, no ABC, a Cubatão, Baixada Santista. Segundo a Fundação Florestal, órgão responsável pelo Parque da Serra do Mar e ligado à Secretaria do Meio Ambiente do Estado, estudos acharam vestígios de que a trilha existe há séculos.

O processo de deterioração se acentuou a partir da década de 1990. "Os caras vinham de roupa camuflada, facão e cortavam o mato", lembra Delton Vitório, de 47 anos. "E ainda diziam que respeitavam a natureza." Encarregado da fiscalização do trecho do parque onde está a trilha, ele diz que o corte era feito para abrir atalhos. Assim, fugia-se do zigue-zague do traçado original.

"Deveria haver só um caminho e não vários, porque, ao pisar em um terreno com alta pluviosidade e muito inclinado, a vegetação não se recupera tão facilmente", explica a responsável pela seção de sustentabilidade de recursos naturais do IPT, Ligia Ferrari Torella Di Romagnano.

Os novos caminhos se tornaram corredores da água da chuva, que, por sua vez, carregavam os sedimentos e as folhas caídas das árvores, deixando o solo à mostra. A terra ganhou superfície lisa pontuada por buracos. O diagnóstico foi de erosão. "Sem solo, sem cobertura vegetal, aquilo não se sustenta mais", observa Ligia. "O que era para ser área de mata nativa hoje é um argilão", conclui. Aos poucos, a degradação acelera o deslocamento das rochas da serra, aumentando o risco de deslizamentos como os registrados na serra do Rio no mês passado.

Refazer esse caminho é a primeira tarefa do plano do IPT. A partir do mês que vem, arqueólogos percorrerão a trilha em busca de sinais do caminho original.

Erosão. No mesmo período, deverá ser elaborado o mapeamento dos pontos de erosão. Essa fase deve durar oito meses. Com os estudos prontos, a equipe do IPT dará início à reconstituição da trilha em zigue-zague. O projeto prevê ainda a construção de uma base para controle de acesso da trilha, no pé da serra, e o treinamento de 32 monitores.

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