Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Voluntários iniciam a limpeza da fachada do Pátio do Colégio nesta segunda-feira

Monumento foi pichado na última semana com a frase 'Olhai por nois'; ação deve se estender até sexta-feira

Marina Dayrell, Priscila Mengue Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2018 | 07h46
Atualizado 16 Abril 2018 | 15h56

SÃO PAULO - Começou às 6 horas desta segunda-feira, 16, a limpeza da fachada do Pátio do Colégio, no centro histórico de São Paulo. O local foi pichado por três pessoas na madrugada de terça-feira, 10, com frase “Olhai por nois” em tinta vermelha. Dois dos investigados pelo ato foram ouvidos pela polícia na quinta-feira, 19. A terceira pessoa foi identificada, mas ainda é procurada pela polícia. 

Segundo o diretor do Pátio do Colégio, padre Carlos Alberto Contieri, mais de 100 voluntários participam do processo de recuperação, que deve se estender até a sexta-feira, 20. O mutirão é organizado em turnos, das 7 às 12 horas e das 12 às 17 horas, e todo o material utilizado nas atividades foi cedido ou doado por pessoas físicas e jurídicas. A Prefeitura de São Paulo também cedeu uma máquina para ajudar na lavagem.

Nos primeiros dias, os voluntários estarão envolvidos na lavagem e retirada da pintura da fachada e também vão lixar as esquadrias atingidos pela tinta, depois será aplicada uma massa para nivelar toda a superfície e, por fim, será feita a pintura - que deve começar na quinta-feira, 19. 

Para manter a uniformidade, toda a parte frontal passará por todas as etapas da recuperação.  Segundo a arquiteta preservacionista Jéssica Carvalho Silva, de 26 anos, funcionária do Pátio do Colégio, serão utilizados cerca de 90 litros de tinta branca para toda a superfície do local - que estava sem passar por um procedimento semelhante havia cerca de 10 anos.

Jéssica ressalta que o trabalho é uma recuperação, e não uma restauração, pois o local foi reconstruído em 1979, mantendo, em seu anterior, alguns artefatos originais. Parte dos elementos arquitetônicos, urbanos e arqueológicos do Pátio do Colégio é tombada em nível municipal.

Voluntários. Interessados em participar da recuperação começaram a procurar a direção do Pátio do Colégio já na manhã seguinte à pichação. No mesmo dia foi realizada a primeira reunião de voluntários. "O que mais me surpreendeu foi saber que tinha tantas pessoas que gostavam daqui", comenta o  do Pátio do Colégio, Padre Carlos Alberto Contieri.

Ao Estado, o diretor chamou o mutirão de um "grande grito" conta a violência e impunidade. "O que eu me pergunto é se a pena (aplicada aos autores da pichação) vai ajudar a esses jovens repararem o erro que cometeram e mudarem a mentalidade", disse. 

O padre relatou, ainda, ter procurado a polícia para conhecer os autores da pichação. Segundo ele, o trio seria bem-vindo caso resolva participar da recuperação. “Seria bom para eles e para a sociedade”, defende.  

Grande parte dos voluntários nã0 costuma frequentar as atividades promovidas pelo Pátio do Colégio. É o caso, por exemplo, do advogado Gustavo Luiz Costa Antônio, de 29 anos, que costuma ir ao local para jogar o videogame Pokémon Go.

Segundo ele, o espaço é o mais importante para jogadores do game na região central de São Paulo, pois reúne três ginásios. Por isso, em horários de almoço e antes do começo do expediente é comum que jogadores se reúnam no local, que se tornou uma espécie de “ponto de encontro”.

“A gente tem um grupo (chamado PK Centro) com mais de 100 pessoas no WhatsApp. Vi as primeiras fotos da pichação lá, umas 5h30 da manhã”, conta. Às 6h30, o advogado foi ao Pátio para conferir o que aconteceu de perto. No grupo, os usuários resolveram se organizar para participar do mutirão e também fazer uma vaquinha. “Fiquei chateado. Era a nossa segunda casa”, diz ele, que ajudou na montagem do andaime da obra e também lixou parte da pintura.

Outra voluntária do mutirão é a professora universitária Adriana Miguel Ventura, de 49 anos. Moradora da zona oeste, ela já havia visitado o local algumas vezes, mas que resolve ajudar por ter ficado “indignada” ao ver a fachada “violentada”. “Isso aqui é de todo mundo”, defende ela, que pretende participar de outras ações de recuperação do local. 

Pichadores. João Luis Prado Simões França, de 33 anos, e Isabela Tellerman Viana, de 23, confessaram a participação no crime. O homem, conhecido como M.I.A, (Massive Ilegal Arts, Artes Ilegais de Massa em tradução livre), é considerado o líder do grupo pela polícia e confessou ter participado de outras pichações na cidade, como os atos no Monumento às Bandeiras e na estátua do Borba Gato, em 2016, e no muro do Estádio do Morumbi, em 2017.

+ Trio de pichadores filmou toda a ação no Pátio do Colégio; veja

As pichações de M. I . A. são registradas em fotografias que são exibidas e vendidas em galerias e feiras de arte da zona oeste de São Paulo. As imagens podem chegar a custar R$ 2.250 em sites internacionais.

Por ser considerado um crime ambiental de natureza leve, os envolvidos podem ter a pena convertida pela Justiça em prestação de serviços. Segundo o delegado Marcos Galli Casseb, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) de São Paulo, a ação de França pode resultar em prisão, caso o poder judiciário decida somar as penas das pichações que  já cometeu. A Prefeitura de São Paulo ainda pode multar os envolvidos em R$ 10 mil.

Confira o vídeo do ato:

 

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