Resposta à tragédia expõe 1º mal-estar de Haddad e Alckmin

Bastidores

O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2013 | 02h03

A divulgação de vistorias do Corpo de Bombeiros a casas noturnas e outros estabelecimentos gerou o primeiro mal-estar entre a administração de Fernando Haddad (PT) e o governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

Enquanto a primeira resposta de Haddad à crise foi convocar uma reunião para analisar a legislação de segurança, Alckmin anunciou medida mais ostensiva: mandar os bombeiros fiscalizarem todas as baladas do Estado.

A Prefeitura não pretendia interditar os locais e Haddad estava preocupado em não iniciar uma "caça às bruxas" - também não havia estrutura na Prefeitura para isso. Mas não pôde se omitir depois que os nomes dos lugares reprovados pelos bombeiros vieram a conhecimento público. Passar na análise da corporação é quesito essencial para qualquer estabelecimento abrir as portas e a Prefeitura é obrigada a fiscalizar.

Após o começo das blitze dos bombeiros, Alckmin e Haddad deram demonstração pública de parceria para enfrentar a crise. Mas tucano e petista ainda não conseguiram convencer que município e Estado trabalham em sintonia.

As rusgas entre Estado e Prefeitura já estavam evidentes na quinta-feira, um dia após as primeiras blitze do Corpo de Bombeiros, quando uma coletiva da imprensa foi convocada na Prefeitura para anunciar parceria dos órgãos na fiscalização.

Funcionários do governado do Estado chegaram a reclamar com jornalistas da organização do evento, feita pela equipe da Haddad. "As rixas políticas não deveriam chegar até a gente", disse um dos técnicos do governo estadual na ocasião.

Após o protocolo, organizado pela Prefeitura, Alckmin não ficou para responder perguntas dos jornalistas. Foi representado pelo secretário adjunto da Segurança Pública, Antonio Carlos Ponte, e pelo comandante dos bombeiros, Erik Colla. Já Haddad, que voltou à entrevista após a saída do governador, elogiou Alckmin que, segundo ele, "cancelou agenda" para o encontrá-lo e retribuir a primeira visita, no Palácio dos Bandeirantes.

A situação piorou na manhã de ontem. Os bombeiros convocaram a imprensa para acompanhar uma vistoria na casa Wood's, na Vila Olímpia, zona sul. Apesar do anúncio de parceria, a ação não contou com técnicos da Prefeitura e o local escolhido foi uma casa que aguarda desde 2009 a emissão da licença de funcionamento. O local havia sido vistoriado pelos bombeiros no dia 26 dezembro e já estava com a situação em dia.

Um membro do governo de Haddad chegou a dizer que Alckmin só resolveu anunciar as vistorias após a administração consultar o governo sobre a possibilidade de utilizar bombeiros, por meio da Operação Delegada, para fiscalizar casas noturnas na cidade.

As 26 casas interditadas podem ser as únicas, se depender de Haddad. Ele já havia se reunido com donos das baladas e prometido que haveria diálogo com o setor.

A partir de hoje, começa uma força-tarefa de fiscalização com estilo mais didático. A ideia do prefeito é dar prazos para que os donos das casas noturnas se regularizem. Apesar do esforço para mostrar que há sintonia entre as duas esferas, o choque logo no começo da gestão petista dá uma prévia do que pode vir por aí no ano que vem, quando Alckmin vai tentar se reeleger e Haddad entrará de cabeça na campanha para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, postulante do PT ao governo./A.F., B.R. e A.R

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