Responsável por crianças é acusado de mortes

Enquanto o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), pretende incluir adultos dependentes de crack na estratégia de internação compulsória, quatro abrigos da ONG Casa Espírita Tesloo apresentam uma série de problemas, segundo relatório da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio.

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2012 | 03h04

Além disso, o presidente da entidade, o major reformado da Polícia Militar Sérgio Pereira de Magalhães Júnior, de 42 anos, é acusado de ter atuado em 14 autos de resistência (morte de suspeitos em confronto com a polícia) e de integrar uma milícia. Pesquisa no banco de dados da Polícia Civil, informatizado desde 2000, mostra que em 4 casos o policial é apontado como autor das mortes.

Desde 2008, quando obteve o direito de ser reformado por ter duas vértebras feridas em um confronto com bandidos cinco anos antes, Magalhães Júnior é suspeito também de atuar em milícia. Segundo o jornal O Dia, o oficial é investigado pela 33.ª Delegacia de Polícia (Realengo) por agir nas Favelas Vila Brasil e Sobral, em Magalhães Bastos.

Desde 2005, a Casa Espírita Tesloo dirigida pelo major já recebeu R$ 79,8 milhões em 23 contratos firmados com a Prefeitura. Os convênios foram assinados sem a realização de licitação. A Secretaria Municipal de Assistência Social explica que a ONG foi selecionada por meio de processo seletivo público, que dispensa licitação por se tratar de entidade sem fins lucrativos.

De acordo com o relatório da Comissão de Direitos Humanos, os abrigos são de difícil acesso, o que dificulta o convívio familiar. Além disso, faltam informações consolidadas sobre o efeito do tratamento dos adolescentes e crianças viciados e são comuns contenções físicas por meio da amarração de pés e mãos. Com base no relatório, deputados e entidades de defesa de direitos humanos pedem o fim da internação compulsória de crianças e adolescentes.

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