Isabela Palhares/Estadão
Isabela Palhares/Estadão

Responsável por arrecadação em prédio que desabou nega cobrança de aluguel

Nireldes Oliveira prestou depoimento nesta quarta-feira, 9, no inquérito que investiga o incêndio; moradores relataram cobrança à polícia

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2018 | 16h05

Apontada pelos moradores como uma das líderes do Movimento de Luta Social por Moradia (MSLM) e responsável pela arrecadação dos valores de aluguel e taxa de manutenção do edifício Wilton Paes de Almeida, Nireldes de Jesus Oliveira, de 38 anos, disse à Polícia Civil que as alegações são "mentirosas". Ela prestou depoimento nesta quarta-feira, 9.

Ela afirmou que não havia um valor fixo estabelecido, mas uma arrecadação voluntária quando havia necessidade de alguma manutenção. "É tudo mentira (sobre a cobrança). Tinha um grupo de mulheres que se reunia para discutir o que precisava ser arrecadado para, por exemplo trocar uma pia, um chuveiro, e a gente fazia uma espécie de vaquinha. Não tinha aluguel ou taxa".

Além de relatarem o pagamento de aluguel, que dizem variar entre R$ 150 e R$ 400, os moradores relatam que as regras do prédio determinavam a expulsão em caso de atraso. Nireldes também negou essa informação. "Não existia isso, é tudo mentira. Eles não tinham nem condições de pagar (um aluguel)", diz.

Ângela Fabiano Quirino, advogada de Nireldes e dos outros dois apontados como líderes - Ananias Pereira dos Santos e Hamilton , disse que a mulher não tinha uma função de administração ou coordenação dentro da ocupação. "Ela era uma moradora, é tão vítima quanto eles", disse Quirino.

Nireldes morava com o marido e o filho no mezanino do prédio. Segundo os moradores, esse andar era reservado para os líderes ou pessoas próximas a eles. 

O delegado seccional Marco Antônio Paula Santos, responsável pela investigação, disse que os depoimentos dos três apontados como líderes são contestados pelos moradores. Pelo menos 30 pessoas já prestaram depoimento desde o incêndio e desabamento do prédio. "Muitos detalhes (sobre o que eles disseram) são contestados ou vão no sentido contrário da maioria dos ouvidos. Todas as pessoas apontaram Nireldes como a responsável pela cobrança", afirmou.

Os três negaram à Polícia Civil serem líderes do movimento. "Todos se dizem tão somente moradores na mesma condição dos demais ou apenas colaboradores beneméritos", disse o delegado.

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O delegado informou ainda que quer ouvir mais moradores para colher informações sobre as instalações elétricas do lugar. Nireldes disse que os moradores eram responsáveis por fazer suas próprias instalações e que todas elas estavam em bom estado de conservação.

"Alguns dizem que já havia instalações elétricas quando se mudaram pra lá, dizem que a conservação era bem ruim", explicou Santos.

Desaparecido

Um homem que constava na lista de desaparecidos nos escombros do prédio foi encontrado vivo, nesta quarta-feira, 9, em uma cidade na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A família informou à polícia o paradeiro de Artur Hector de Paula, de 46 anos. A tia dele, Irani de Paula, havia registrado na segunda-feira, 7, um boletim de ocorrência para informar o desaparecimento de Artur.

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