Respeito ao pedestre só onde há CET

Primeiro dia de campanha pela paz no trânsito mostra que, por enquanto, apenas diante dos marronzinhos paulistanos respeitam faixas

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2011 | 00h00

O primeiro dia da campanha para redução de atropelamentos na cidade de São Paulo mostrou que a tarefa não será fácil. Motoristas foram obrigados a não invadir a faixa de pedestres em determinados cruzamentos onde houve reforço de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e de orientadores. Mais à frente, no entanto, as infrações voltavam a se repetir.

Foi lançada ontem a primeira das oito Zonas de Máxima Proteção ao Pedestre (ZMPPs) na região que compreende o centro e partes da Avenida Paulista. As equipes começaram a trabalhar em esquema de rodízio em cem cruzamentos. Bandeiras com a frase "Travessia segura, aguarde sua vez" eram colocadas na frente dos veículos, enquanto agentes paravam o tráfego.

"São Paulo tem o menor índice de atropelamentos do País, mas aqui ainda morre quatro, cinco vezes mais gente que em Nova York", disse o secretário dos Transportes, Marcelo Cardinale Branco. O objetivo é reduzir pela metade os atropelamentos.

O primeiro dia foi marcado pelo respeito nos cruzamentos, desde que houvesse agentes da CET e orientadores de tráfego. Na Avenida São João com a Ipiranga, por exemplo, poucos motoristas invadiram a faixa de pedestres onde ocorriam as ações. Mas, dois quarteirões adiante, nenhum motorista parava para esperar a travessia dos pedestres nos 20 minutos em que a reportagem esteve no local.

"Parei lá trás (no cruzamento com a Ipiranga), porque o semáforo estava fechado. E nem vi campanha. Aqui não tinha semáforo, então achei que a vez era minha", diz o técnico João Carlos de Almeida Lima, de 42 anos.

A mesma situação foi flagrada na Rua Líbero Badaró. Perto da Prefeitura, todos respeitaram os orientadores de tráfego. Quando eles saíram para pegar um lanche, duas motocicletas invadiram a faixa. Em outro ponto da mesma rua, perto do prédio da Secretaria de Segurança Pública, pedestres precisavam esperar uma brecha para correr entre os carros. Após um período de adaptação, a CET pretende intensificar as multas a quem desrespeitar o direito dos pedestres.

Acidentes. Mesmo com a campanha, foram registrados atropelamentos no centro - um deles justamente na primeira ZMPP. Às 11h13, segundo o Corpo de Bombeiros, uma pessoa foi atingida por um carro na Rua Marquês de Itu.

Pouco depois, às 12h13, um aposentado de 81 anos foi atropelado em um acidente que envolveu moto e automóvel. Foi na Avenida Paulista, altura do número 688, próximo ao cruzamento com a Brigadeiro Luís Antônio - o ponto onde houve mais atropelamentos nos últimos três anos. A vítima foi encaminhada consciente a um hospital.

Ombudsman. O secretário disse ontem que o programa vai ganhar um ombudsman para fazer críticas e observações sobre a campanha. O consultor Luiz Célio Bottura foi convidado para o posto e disse que está "propenso" a aceitar.

Ontem, no entanto, ele aproveitou para fazer as primeiras críticas. Disse que as frases educativas deveriam estar escritas também na parte de trás das camisetas dos orientadores e eles estavam mal posicionados no cruzamento. Afirmou ainda que pessoas de baixa estatura deveriam ser substituídas, para serem vistas mais facilmente.

Próximas

Embora ainda não haja prazo para implantação, as áreas das outras sete ZMPPs já foram definidos: Santana, Brás, Penha, Lapa, Santo Amaro, Pinheiros e outros pontos da Paulista.

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