Residenciais ganham mais escritórios que SP

Enquanto os lançamentos empresariais crescem 3% por ano no País, em Alphaville o avanço é de 20%; maioria das empresas 'migra' da capital

BRUNO TAVARES e RODRIGO BRANCATELLI, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2011 | 00h00

Placa a placa, slogan por slogan, o boom de novos empreendimentos comerciais em Alphaville pode ser acompanhado pelos outdoors das construtoras espalhados por todo o bairro. "Nove torres, alto padrão", "O condomínio sob medida para sua empresa", "Uma oportunidade única". Trata-se de um exercício aparentemente sem fim.

No último trimestre do ano passado, Alphaville teve mais lançamentos de espigões empresariais do que a capital paulista - foram 24.400 m² construídos, ante 17 mil m² erguidos na região dos Jardins e das Marginais, de acordo com levantamento da consultoria CB Richard Ellis. Enquanto o mercado cresce 3% ao ano, Alphaville experimenta taxa de 20% - nos próximos dois anos, deve chegar aos 50%.

"Em 2005, Alphaville tinha 250 mil m² de escritórios. Hoje são 432 mil m²", diz Adriano Sartori, diretor de locação da CB Richard Ellis. "O que aconteceu é que a capital ficou cara, então as empresas começaram a procurar outras regiões. Claro que hoje é preciso investimentos, principalmente em transporte, em modernização, porque a região cresceu demais."

A maioria das empresas que se instalaram nos últimos anos nas imediações de Alphaville deixou as antigas sedes em endereços nobres da capital em busca de economia. Enquanto a alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) na capital é de 5% sobre o faturamento, em Barueri é de 2%. Para grandes companhias, a mudança significa um ganho de milhões ao longo do ano.

Empregados. Quem nem sempre sai em vantagem são os funcionários. O gerente de projetos Carlos Suzuki, de 49 anos, que presta serviços para uma administradora de cartões de crédito com sede em Alphaville, viu as despesas de deslocamento duplicarem desde que passou a deslocar-se da Vila Mariana, onde mora, para Barueri. "São R$ 140 de pedágio e R$ 350 de álcool por mês", contabiliza. "Antes gastava metade com o combustível."

O porta-voz da empresa Alphaville Urbanismo, responsável pelos condomínios, não foi encontrado para comentar sobre o inchaço da região, segundo a assessoria de imprensa da companhia. A Prefeitura de Barueri, que engloba os residenciais, já aventou a possibilidade de construir um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para ligar a Linha 8-Diamante da CPTM ao bairro. Procurados pela reportagem, nem o prefeito Rubens Furlan (PMDB) nem seus secretários quiseram comentar os entraves urbanísticos. Em nota, a prefeitura diz que "tem se preocupado em realizar ações para atender à demanda".

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