''Resgate de corpos parece não ter fim''

"Pelo que a gente vê até agora na televisão, não dá para ter uma ideia sequer aproximada do que está acontecendo aqui. Só em uma favela chamada Campo Grande, que fica em frente à casa da família Marinho (da Rede Globo) e perto da minha - e que foi uma das mais atingidas pelas chuvas - há centenas de pessoas mortas. Helicópteros da Defesa Civil e dos bombeiros sobrevoam a área o tempo todo. O resgate de corpos parece não ter fim. Se você anda pelas ruas enlameadas vê apenas expressões de desespero, gente gritando, macas passando. Quem não está envolvido tem ajudado muito, mas todo o empenho ainda parece pouco para o volume da catástrofe. Passo os verões em Teresópolis praticamente desde que nasci, há 52 anos, e me mudei definitivamente para cá há quatro. Não me lembro de ter visto algo como isso. Recentemente até tivemos chuvas de consequências devastadoras em Petrópolis, mas aquilo é café-pequeno. E a diferença agora é que a tragédia não aconteceu apenas nas as casas simples das encostas, mas também sítios e mansões das redondezas. As propriedades nesta área custam em média R$ 500 mil. Tive sorte porque minha casa foi uma das menos atingidas, mas, de qualquer forma, estamos completamente ilhados. Para chegar ao centro mais próximo, e poder comprar mantimentos, gás ou ração para o cachorro, tenho que andar cerca de 8 quilômetros."

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2011 | 00h00

O empresário Ricardo Figueiredo mora em uma casa de 350m² em uma das regiões mais devastadas pelos temporais, próxima à estrada para Petrópolis.

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