Resgate de barco começa em janeiro na Antártida

Mar Sem Fim naufragou em abril, após forte tempestade; operação vai envolver cem pessoas e prazo dependerá de condições do clima

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h03

Nove meses após naufragar na Antártida, o jornalista João Lara Mesquita, de 56 anos, ex-diretor da Rádio Eldorado, começa sua viagem de regresso ao extremo sul do globo terrestre para cumprir sua parte no pacto com o continente gelado: resgatar do fundo do oceano o barco Mar Sem fim, que repousa a uma profundidade entre dez a 12 metros na Baía de Fields, perto da Ilha Rei George.

O Mar Sem Fim naufragou no dia 7 de abril, depois que a tripulação - integrada por Mesquita e mais três pessoas, que gravavam um documentário sobre a região - sucumbiu a uma forte tempestade, com ventos que atingiram 150 km/h. "Trabalhei todo este ano para viabilizar o resgate do barco. É um compromisso moral que preciso cumprir", diz o jornalista.

Como a Antártida é um dos locais mais inóspitos e remotos do mundo, desde a assinatura do Tratado da Antártida, em 1959, que garantiu o livre acesso de pesquisadores ao continente, todos aqueles que se aventuram em desbravar os mares gelados se comprometem a não deixar nada para trás: nem lixo, nem comida, nem as estruturas para abrigar pesquisadores ou mesmo embarcações que afundam.

Clima. A operação para resgatar o Mar Sem fim começará no dia 7 de janeiro e deve envolver cerca de cem pessoas. Não há prazo definido para terminar, já que depende das condições climáticas da região, sempre imprevisíveis. Se tudo der certo, a previsão é de que seja encerrada ainda no fim de janeiro.

O submarino Felinto Perry, da Marinha brasileira, especializado em resgate de embarcações naufragadas, vai ajudar na tarefa. Uma equipe de mergulhadores chilenos também foi contratada para a ação e já vem trabalhando no levantamento de informações que vão orientar as ações do grupo.

"Esse é um tipo de trabalho em que a gente acaba tendo muita ajuda voluntária e solidariedade de pessoas de diferentes nações que estão na Antártida comprometidas em preservar o ambiente", explica Mesquita.

O plano de reflutuação do Mar Sem Fim consiste, em um primeiro momento, em vedar os três compartimentos da embarcação - proa, parte do meio e traseira do barco.

Em seguida, mergulhadores acoplarão grandes boias nas laterais do barco e levarão mangueiras de ar comprimido para encher de ar as boias e o interior do barco. É assim que o Mar Sem Fim deve vir à tona. "Desde que o barco afundou, ele pouco se mexeu no fundo do oceano. Ainda fizemos uma vistoria e pudemos ver que não tem nenhum furo, o que vai facilitar o trabalho", diz o jornalista.

Reboque. Depois de resgatado, o Mar Sem Fim será rebocado para Punta Arenas, no Chile, onde deve ser cortado e vendido. Os gastos para se recuperar um barco que ficou tanto tempo debaixo d'água inviabilizam a tentativa de manter o Mar Sem Fim na ativa.

Uma das preocupações de Mesquita é com o combustível. Quando afundou, o barco tinha 8 mil litros de diesel no tanque. Segundo pesquisadores que ficam nas bases vizinhas ao naufrágio, o combustível ficou encrustado no gelo que o cercava e acabou sendo levado para longe da Baía de Fields. "Não deve haver mais combustível no tanque. Mas levaremos equipamento para contenção", diz.

A aventura de Mesquita deve render um documentário emocionante. Serão mostradas a viagem e o naufrágio, além das filmagens do resgate. Mesquita diz ainda que tem um livro pronto na cabeça.

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