Reserva do Cantareira pode acabar em 27 de outubro, prevê Sabesp

No pior cenário considerado pela companhia, seria necessário retirar mais 51 bilhões de litros do 'volume morto' para garantir abastecimento até o fim de novembro

FABIO LEITE, O ESTADO DE S. PAULO

02 de junho de 2014 | 16h24

Atualizada às 20h39

SÃO PAULO - Após incorporar cenários mais pessimistas no regime de chuvas em seu plano de emergência para o Sistema Cantareira, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) prevê que o "volume morto" que está sendo retirado das profundezas do manancial para abastecer a Grande São Paulo pode acabar no dia 27 de outubro, um dia após o segundo turno das eleições ao governo paulista. 

Divulgada nesta segunda-feira, 2, pelo comitê anticrise que monitora o Cantareira, a estimativa da Sabesp considera uma retirada média do manancial de 21,2 mil litros por segundo nos próximos meses e uma vazão afluente (volume de água que chega aos reservatórios) igual a 50% da mínima histórica registrada no período. Neste cenário, a capacidade atual do manancial, incluindo os 182,5 bilhões de litros do "volume morto", será insuficiente para garantir o abastecimento até o fim de novembro, data definida como horizonte do plano emergencial. Faltariam 51 bilhões de litros. 

Ocorre que as projeções da Sabesp são mais otimistas do que a realidade. Em maio, por exemplo, a vazão afluente ao Cantareira foi equivalente a apenas 39% da mínima história deste mês, registrada no ano 2000. Ou seja, pior do que os 50% que a Sabesp considerou em seu cenário mais pessimista. Só no mês passado, o déficit de água do sistema foi de 43,3 bilhões de litros, o equivalente a uma redução de 4,45% do volume útil do manancial.  

Nesta segunda-feira, o Cantareira está com 24,7% da capacidade, segundo a Sabesp. Ao lançar a captação inédita da reserva profunda do manancial no dia 15 de maio, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a reserva garantiria o abastecimento até "o início das próximas chuvas", que tradicionalmente ocorrem a partir de outubro. Semanas antes, o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, garantiu o abastecimento de água sem racionamento generalizado até março de 2015.   

Para cumprir a promessa, a Sabesp terá de utilizar mais uma parte do "volume morto", que possui ao todo cerca de 400 bilhões de litros. A concessionária já informou ao grupo técnico liderado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) que pretende utilizar mais uma parte da reserva profunda do Cantareira, nas represas Jaguari-Jacareí, entre Bragança Paulista e Joanópolis.

O plano de emergência da Sabesp foi refeito após ter sido rejeitado pelo comitê anticrise, conforme o Estado antecipou na semana passada. Na nova proposta, a Sabesp reduziu em 4,5% a média de retirada de água do sistema prevista até o dia 30 de novembro, de 22,2 mil litros por segundo para 21,2 mil litros por segundo. Segundo o comitê, a exceção do representante da Sabesp, os demais integrantes "ressaltam que a proposta apresentada pela Sabesp para as condições mais desfavoráveis não conseguiu compatibilizar as demandas dos cenários futuros de vazões afluentes com o atual volume disponível por bombeamento".

Por ora, ANA e DAEE determinaram que, a partir desta quarta-feira, 3, a vazão de água liberada para a Sabesp será de 21,5 mil litros por segundo, o que representa uma redução de 4% em relação a vazão permitida hoje, de 22,4 mil litros. Na prática, a concessionária já tem operado com um volume de água estabelecido. Mas dentro do comitê, ainda se discute se a necessidade de se deixar cerca de 50 bilhões de litros de reserva do atual "volume morto" para o mês de dezembro, caso a estiagem se repita na próxima temporada de chuvas.  

Neste caso, a Sabesp só conseguiria guardar este volume se as vazões afluentes nos próximos meses forem iguais às piores da história: sobrariam 45 bilhões de litros para dezembro. Neste ano, isso ainda não aconteceu. Em outra simulação apresentada, com uma vazão afluente igual a 75% da mínima história, o "volume morto" acabará no dia 26 de novembro, restando mais 4 bilhões de litros para manter o abastecimento até o final do mês.

Desacordo. Em nota, a Sabesp informou que "mantém as suas projeções inicialmente apresentadas" e que o comitê anticrise "obrigou a companhia a apresentar projeções muito mais pessimistas", que seriam as vazões afluentes de 50% e 75% inferiores às mínimas históricas registradas entre junho de novembro. 

"Mas esta não é a posição da Sabesp. A Companhia mantém seus dados e estimativas antes encaminhadas. Por fim, é importante anotar que não há qualquer decisão dos reguladores, Agência Nacional de Águas e DAEE. Trata-se de mera recomendação do GTAG (comitê anticrise) que será ainda avaliada", afirma a Sabesp.

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