Repressão da PM faz apoio crescer

Liberdade de expressão e crítica à polícia viram bandeiras; 122 mil já confirmaram, pela internet, presença no ato marcado para 2ª-feira

O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h01

Entidades sem ligação direta com a redução da tarifa de ônibus repudiaram a violência nos protestos de anteontem.

A Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo divulgou carta aberta ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e ao prefeito Fernando Haddad (PT) na qual classifica a violência como "inadmissível" e critica a Rota. A ONG de Direitos Humanos Conectas disse que "denunciará o caso aos relatores da ONU".

A Rede Nossa São Paulo espera que o protesto sirva para melhorar o transporte público. "Estamos discutindo esse problema há anos, mas só o que vemos é a Prefeitura e o governo estadual gastando milhões em pontes e túneis para carros", diz o coordenador de Democracia Participativa da Rede, Maurício Piragino.

Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace, também vê uma oportunidade real de conseguir mudanças nos transportes. "A tarifa foi apenas o estopim de uma demanda reprimida, que é a necessidade de um transporte coletivo melhor."

No próximo ato, marcado para segunda-feira no Largo da Batata, além de criticar o aumento da passagem, os jovens também se posicionarão pelo direito de manifestação e contra a repressão policial. Até a noite de ontem, 122 mil internautas já haviam confirmado participação no protesto.

O comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, admitiu que não sabe "que dimensão e qual magnitude terá a próxima manifestação". Mas afirmou que manterá a Tropa de Choque como uma "reserva estratégica" para atuar no protesto.

Pro bono. Um grupo de advogados criou um movimento no Facebook para angariar profissionais que possam atuar, pro bono, para entrar com habeas corpus em favor de manifestantes presos nos protestos. Até as 20h, mais de 3 mil advogados e estudantes de Direito já haviam se colocado à disposição das ações. / BRUNO RIBEIRO, RODRIGO BURGARELLI, OCIMARA BALMANT, GIOVANA GIRARDI e ARTUR RODRIGUES

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