Repressão ao PCC e crise entre polícias podem mudar quadro

Homicídios em queda. Roubos e latrocínios em alta. A aparente normalidade da tendência que vem se repetindo nos últimos balanços mensais da Secretaria da Segurança Pública acobertam um período de suspense e tensão na área de segurança, com capítulos decisivos nos próximos meses.

CENÁRIO: Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2013 | 02h07

Um dos focos da tensão foi a denúncia feita contra 175 integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), depois de três anos de investigação comandada pelo Ministério Público do Estado.

Na quinta-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a internação do primeiro integrante da cúpula da facção no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Outras medidas semelhantes contra a cúpula da facção devem ser tomadas nos próximas dias.

O secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, afirma que não há motivos para alarmismo. Há, segundo ele, policiais da inteligência das duas polícias rastreando informações 24 horas para identificar movimentações fora do normal. O receio é de que a facção tome medidas em represália ao endurecimento da Justiça e do governo contra a cúpula e demais integrantes do PCC. Uma das causas dos ataques de 2006 foi justamente a transferência de integrantes da facção para cadeias com regimes mais duros.

Outro foco de tensão é a briga por salários, encabeçada por oficiais da PM e políticos ligados à corporação, que passaram a criticar o aumento oferecido pelo governo a policiais civis. Eles reclamam que a decisão fere paridade salarial entre policiais civis e militares que vinha sido respeitada nos últimos 30 anos. Os primeiros efeitos foram sentidos nesta semana, quando o Estado não conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa o aumento salarial de 7% das polícias, por causa da insatisfação dos PMs, que conquistaram apoio dos deputados. Os resultados nos números da segurança serão vistos nos próximos meses.

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