DENNY CESARE/CÓDIGO19
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Represas transbordam, mas rodízio continua em Valinhos

Segundo Departamento de Água e Esgoto de Valinhos, embora as represas estejam cheias, metade da população é abastecida pelo Rio Atibaia, que é dependente do Cantareira e tem vazão instável

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

18 Fevereiro 2015 | 17h09

SOROCABA - As chuvas fizeram transbordar as quatro represas internas que abastecem Valinhos, na região de Campinas, mas os 106,9 mil moradores continuarão convivendo com o racionamento. Na cidade, uma das primeiras do Estado a adotar o rodízio, o abastecimento é suspenso pelo período de 18 horas duas vezes por semana. De acordo com o Departamento de Água e Esgoto de Valinhos (Daev), embora as represas estejam cheias, metade da população é abastecida pelo Rio Atibaia, que é dependente do Sistema Cantareira e tem vazão instável.

Nesta quarta-feira, 18, a vazão do Atibaia chegou a 42,30 metros cúbicos por segundo no ponto de captação de Valinhos, 10 metros cúbicos a mais que a vazão medida na terça-feira. Na semana anterior, no entanto, o nível estava em 11,3 m3/s. Para a assessoria do Daev, tanta água de uma vez não resolve os problemas de abastecimento, pois não há reservatório e a vazão segue o curso para o Rio Jaguari. Ainda segundo a assessoria, o rodízio é necessário porque o sistema de tratamento de água trabalha com déficit diário de 3 milhões de litros.

De acordo com o Daev, as obras de ampliação da Estação de Tratamento de Água (Eta 2) serão concluídas em setembro. Até lá, o rodízio vai continuar, segundo o órgão. Até porque somente com as chuvas desta noite o mês de fevereiro atingiu o nível histórico no município. Em medição realizada pela manhã, a estação pluviométrica da prefeitura registrou um acumulado de 120,6 milímetros de chuva em 18 dias deste mês para uma média histórica mensal de 215 mm.

Em Itu, cidade que conviveu com o racionamento drástico durante dez meses em 2014, a realidade também mudou. Somente nos dias de Carnaval choveu 95,3 mm na cidade e a Represa do Itaim, que chegou a secar no ano passado, jorrou água por cima da barragem. O acumulado de chuvas em fevereiro chegou a 213,8 mm, para uma média de 151,4 mm neste mês. As outras represas operam com 85% da capacidade. Apesar disso, a concessionária mantém campanhas para economia de água. Uma nova adutora que deve operar em março vai acrescentar 280 litros por segundo - 40% a mais que hoje - no sistema de tratamento de água da cidade.

Rio Piracicaba. O Rio Piracicaba, um dos mais belos rios do interior, que no ano passado amargou seca histórica, estava com vazão de 483,67 metros cúbicos por segundo na tarde desta quarta-feira, segundo a rede de telemetria do Consórcio PCJ. É a maior vazão registrada desde 2013 e mais que o dobro da medição do dia anterior, quando o rio atingiu 170,01 m3/s. No auge da crise hídrica, o Piracicaba chegou a ter vazão de apenas 7 metros cúbicos por segundo e o salto, principal atração turística da cidade, virou um amontoado de pedras.

Nesta quarta-feira, as águas despencavam com estrondo da cachoeira e estavam a 30 centímetros de alagar a Rua do Porto, na região do Beira-Rio. As várzeas do distrito de Artemis, na zona rural, amanheceram alagadas. A vazão do Piracicaba, na passagem pelo distrito, era de 760,04 m3/s. Mais adiante, em Anhembi, o Piracicaba deságua no Rio Tietê, na região do Médio Tietê.

Os rios das bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), sob influência do Sistema Cantareira, também voltaram a apresentar aumento nas vazões nesta quarta-feira. O Rio Jaguari, que na terça-feira estava com 16,45 m3/s em Jaguariúna, subiu para 35,42 m3/s em medição registrada às 16h10 pelo Consórcio PCJ. O Rio Camanducaia subiu de 30,15 para 74,21 m3/s em Jaguariúna.

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