Secom Araras/Divulgação
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Represa é esvaziada e milhares de peixes morrem em Araras

Prefeitura alega que a operação conseguiu salvar quase 80% dos peixes que acabariam morrendo; Cetesb investiga o caso

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2014 | 16h23

SOROCABA - Milhares de peixes morreram durante a transposição da água de uma das represas que abastecem a cidade de Araras, na região de Campinas, na segunda-feira, 8. Os peixes não conseguiram transpor o canal aberto pela prefeitura para ligar as duas represas e, com o esvaziamento, morreram por falta de água e de oxigênio. A prefeitura alega que a operação conseguiu salvar quase 80% dos peixes que acabariam morrendo com a seca da represa. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) investiga o caso.

O Serviço de Água e Esgoto do Município de Araras (Saema) decidiu fazer a transposição depois de se observar rápida queda no nível da Represa Água Boa, que abastece a cidade. Com o nível próximo de zero, o diretor de captação do Saema, Romildo Bollis, disse que havia risco de ocorrer grande mortandade e, ainda, de se perder o que restava de água no manancial. A cidade enfrenta grave crise hídrica e está com racionamento desde outubro - a população recebe água doze horas por dia.

Segundo Bollis, já havia peixe morrendo e moradores estavam levando os espécimes para consumo, o que ocasionava risco para a saúde pública. Com a abertura do canal, o plano era de que os peixes migrassem para a represa. O problema é que parte da fauna aquática não conseguiu nadar para o canal. O diretor do Saema assegura que os espécimes maiores - pacus, piaparas, dourados e curimbatás - se salvaram. Segundo ele, morreram principalmente peixes menores, como lambaris e piavas que, ao invés de nadarem para o canal, adentraram dois pequenos córregos que abastecem a represa. Ele estima a mortandade em menos de uma tonelada de peixes.

Ainda segundo Bollis, a própria prefeitura povoou a represa com a soltura de alevinos após a construção do manancial, em 2010. Uma operação de salvamento com tanques chegou a ser avaliada, mas as condições de acesso ao local impediram sua execução. O lago que recebeu parte dos peixes, a Represa Ermínio Ometto, também corre o risco de secar. "Se não chover, teremos água para mais cinco dias." Segundo ele, o município vai tentar uma transposição de água de uma represa da Usina São João através de canais de irrigação de canaviais, que estão sendo limpos. 

Nesta terça-feira, 9, foi iniciada a remoção dos peixes mortos com o uso de uma draga. Os restos, já em decomposição, estão sendo levados para uma vala, onde são enterrados. A Cetesb informou que técnicos da agência de Mogi-Guaçu estão em Araras, para avaliar a situação das represas e a extensão dos danos ambientais. Segundo o órgão, possíveis medidas administrativas só serão tomadas após um diagnóstico completo do ocorrido.

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