Repórter ferida diz que teve hemorragia no olho

Em depoimento, jornalista Giuliana Vallone, da TV Folha, disse que policiais miraram em pedestres na rua Augusta

Bárbara Ferreira Santos,

14 Junho 2013 | 11h01

A repórter Giuliana Vallone, da TV Folha, levou um tiro de bala de borracha no olho durante a manifestação contra o aumento de tarifa do transporte público nessa quinta-feira, 13, no centro de São Paulo.

Em depoimento no Facebook nesta sexta-feira, 14, ela afirmou que passou a noite em observação no hospital. Giuliana disse também que, apesar de ter sofrido uma hemorragia por causa da pancada, não sofreu fraturas nem danos neurológicos.

A repórter explicou que já tinha saído da zona de confronto e estava ajudando uma pedestre quando foi checar se a tropa de choque já havia saído. " Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena. Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara", afirmou.

Ela foi socorrida por dois colegas, Giba Bergamim Junior e Leandro Machado, e encaminhada ao hospital.

Confira o depoimento postado pela jornalista nesta sexta-feira no Facebook:

"Queridos,

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todas as manifestações de carinho e preocupação recebidas dos amigos e também de pessoas que não tive a oportunidade de conhecer. Vocês são incríveis.

Agora, o boletim médico: passei a noite no hospital em observação. A tomografia mostrou que não há fraturas nem danos neurológicos. A maior preocupação era o comprometimento do meu olho, que sofreu uma hemorragia por causa da pancada. Felizmente, meu globo ocular não aparenta nenhum dano. E agora, ao acordar, percebi a coisa mais incrível: já consigo enxergar com o olho afetado, o que não acontecia quando cheguei aqui. Fora isso, estou muito inchada e tomei alguns pontos na pálpebra.

Sobre o aconteceu: já tinha saído da zona de conflito principal --na Consolação, em que já havia sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência-- quando fui atingida. Estava na Augusta com pouquíssimos manifestantes na rua. Tentei ajudar uma mulher perdida no meio do caos e coloquei ela dentro de um estacionamento. O Choque havia voltado ao caminhão que os transportava. Fui checar se tinham ido embora quando eles desceram de novo. Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena. Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara. O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.

Cobri os dois protestos nesta semana. Não me arrependo nem um pouco de participar desta cobertura (embora minha família vá pirar com essa afirmação). Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?

Em tempo: obrigada Giba Bergamim Junior e Leandro Machado pelos primeiros socorros!"

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