Repique nas taxas ressuscita velhos fantasmas

Análise: Bruno Paes Manso

O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2011 | 03h02

Os repiques nas taxas de assassinatos, mesmo quando isolados, são suficientes para ressuscitar velhos fantasmas e jogar no ar algumas perguntas: o Estado de São Paulo corre o risco de enfrentar um novo crescimento nos casos de homicídios como ocorreu nos anos 1980 e 1990? A queda acumulada de mais de 70% em dez anos é para valer?

Há motivos para ceticismo. A disseminação da violência costuma ocorrer de forma acelerada, em curtos períodos. Medellín, na Colômbia, por exemplo, virou um caso de sucesso de políticas públicas ao reduzir em 81% os assassinatos entre 1991 e 2007. A partir de 2008, depois de rachas entre os vendedores de drogas locais, os assassinatos cresceram 177% em apenas dois anos.

A queda em São Paulo parece consistente e as autoridades defendem que, por enquanto, não existem motivos para se enxergar uma tendência de alta. Em 2009, já havia sido registrado o primeiro crescimento anual (4%) em dez anos. Os números voltaram a cair no ano seguinte. Um dos argumentos para o repique deste ano são os números baixos do ano passado, quando o Estado registrou pela primeira vez taxas abaixo dos 10 assassinatos por 100 mil habitantes. Segundo autoridades, é sempre mais difícil manter a queda quando os índices já estão baixos.

Outro motivo, dizem, para não acreditar em uma tendência duradoura de alta é que não houve mudanças importantes nos fatores apontados como causas de queda de criminalidade. Entre eles estão aumento de prisões, diminuição de armas em circulação, melhorias na gestão da PM e atuação dos municípios na segurança pública. A aposta, pelo menos por enquanto, é de que, como não houve mudança significativa nessas políticas, os bons resultados alcançados na década não serão perdidos.

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