Repique nas taxas ressuscita velhos fantasmas

Análise: Bruno Paes Manso

25 Outubro 2011 | 20h42

 

Os repiques nas taxas de assassinatos, mesmo quando isolados, são suficientes para ressuscitar velhos fantasmas e jogar no ar algumas perguntas: o Estado de São Paulo corre o risco de enfrentar um novo crescimento nos casos de homicídios como ocorreu nos anos 1980 e 1990? A queda acumulada de mais de 70% em dez anos é para valer?

 

Há motivos para ceticismo. A disseminação da violência costuma ocorrer de forma acelerada, em curtos períodos. Medellín, na Colômbia, por exemplo, virou um caso de sucesso de políticas públicas ao reduzir em 81% os assassinatos entre 1991 e 2007. A partir de 2008, depois de rachas entre os vendedores de drogas locais, os assassinatos cresceram 177% em apenas dois anos.

 

A queda em São Paulo parece consistente e as autoridades defendem que, por enquanto, não existem motivos para se enxergar uma tendência de alta nos números. Um dos argumentos é que o ano passado, quando o Estado registrou pela primeira vez taxas abaixo dos 10 assassinatos por 100 mil habitantes, levou os índices a patamares históricos baixos, mais difíceis de serem mantidos.

 

A falta de um consenso em torno das causas da queda dos assassinatos e a incompreensão do que de fato ocorreu no Estado de São Paulo é um dos motivos para as incertezas. Estudiosos e pesquisadores apontam como motivos para a redução desde o aumento das prisões, passando pela redução de armas em circulação e melhorias na gestão da Polícia Militar, até atuação dos municípios na segurança pública e organização do mercado de drogas proporcionada pelo crime organizado. Sem que haja segurança sobre os motivos da queda, ninguém hoje se arrisca ou é capaz de afirmar que existe o risco de estarmos diante de novo crescimento.

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