Remoções da Copa levam Anistia a Brasília

O secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, prometeu levar hoje ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, as denúncias de abusos e irregularidades cometidos nos processos de remoção de moradores das áreas desapropriadas para grandes obras, sobretudo da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

"As autoridades têm de ser mais sensíveis. Muitas violações estão sendo cometidas", disse Shetty. Entre as obras que provocaram as remoções estão a construção dos corredores expressos para ônibus Transcarioca e Transoeste, que ligarão a Barra da Tijuca (zona oeste) ao Aeroporto Tom Jobim e a Santa Cruz, respectivamente.

"Nem na ditadura encontrei tanta truculência. O trator vai passar por cima de mim, mas não vou sair. De 250 famílias, só restaram dez", disse o representante da comunidade Jardim Maravilha, em Guaratiba, Antônio Félix. O defensor público Alexandre Mendes citou ainda casos em que oficiais de Justiça chegaram a atuar de madrugada.

Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação disse que oferece aluguel social e indenizações a famílias que "necessitam ser reassentadas em função de obras de grande alcance social". Sobre a remoção para locais a até 60 km de distância, informou que as famílias poderão "conectar-se aos locais de origem pelos BRTs (Bus Rapid Transit) que estão sendo construídos". Segundo a secretaria, 6,2 mil famílias já foram reassentadas.

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