Paulo Liebert/AE–23/2/2011
Paulo Liebert/AE–23/2/2011

Relógio do Conjunto Nacional vai parar

Marco tombado da Avenida Paulista, sistema deve ter manutenção, hoje paga por uma instituição financeira, paralisada em fevereiro

Luísa Alcalde, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2011 | 03h04

Marco na paisagem urbana da capital, o relógio que está há 49 anos no topo do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, região central, já tem data para ser desligado: fevereiro.

Quem mantém o equipamento funcionando há 35 anos é o Itaú. Em troca, o banco exibiu ali durante todos esses anos sua marca, ao custo de R$ 350 mil mensais pagos ao condomínio. Só que a instituição entrou na Justiça para cancelar o contrato publicitário, depois que a Prefeitura entendeu que o letreiro fere a Lei Cidade Limpa. Por esse motivo, o Itaú já foi autuado cinco vezes. A última multa foi dada há duas semanas - as infrações já somam R$ 19 milhões.

Desde setembro, o banco começou a retirar o logo de cima da estrutura metálica que pertence ao condomínio. Em fevereiro, quando a obra for concluída, o relógio será apagado - porque a empresa que faz a manutenção do relógio, também paga pelo banco, já foi comunicada de que o contrato será rescindido.

Dessa forma, a estrutura metálica, o relógio e o termômetro no topo do edifício passarão a ser responsabilidade do condomínio, dono do espaço. À Prefeitura, cabe fiscalizar se não oferecem riscos e se a manutenção está sendo feita. Isso porque os três equipamentos são tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).

A pendência sobre o futuro do relógio começou em setembro de 2010, quando a Prefeitura notificou pela primeira vez o banco de que a publicidade deveria ser retirada, o que só começou a acontecer há dois meses, segundo um executivo do banco que pediu anonimato, porque o Itaú teve de entrar na Justiça para poder entrar no Conjunto.

"Só exigimos que nos mostrassem o projeto da obra, feito por engenheiros, porque é uma intervenção complexa que vai levar meses e não podíamos colocar a população em risco", afirma a síndica do Conjunto Nacional, Vilma Paremezza, que já pensa em oferecer o espaço ao mercado. "Quem sabe não aparecem outros interessados?", disse.

Sem acordo. Em junho, o Itaú havia firmado um pré-acordo com a Prefeitura para retirar sua logomarca do relógio e sinalizado a intenção de continuar pagando a manutenção do equipamento pelos próximos três anos. O custo mensal pela manutenção do relógio é de R$ 80 mil. A ideia, na época, era modernizar o equipamento. As lâmpadas de néon seriam trocadas por LED e a manutenção baixaria para R$ 20 mil. Mas o condomínio e o banco não chegaram a um acordo e hoje discutem na Justiça a rescisão do contrato.

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