Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Religadores são nova arma contra apagões

Aparelhos minimizam quedas de energias causada por árvores e já funcionam em Pirituba, Pompeia e Itaquera

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2011 | 00h00

A concessionária de energia elétrica AES Eletropaulo está instalando aparelhos religadores na rede elétrica da Região Metropolitana de São Paulo com o objetivo de minimizar as quedas de energia causadas por contato de objetos com os cabos - em especial árvores e galhos, responsáveis por 52% das interrupções.

Hoje, quando um galho bate na fiação e há um curto-circuito, caminhões têm de ir até o local para consertar o problema. Com os religadores, o sistema será reiniciado de forma automática.

Os aparelhos poderão ainda isolar os efeitos de problemas mais complexos, como quando árvores ficam penduradas sobre a fiação. Nesse caso, a queda de energia se propagará só até o próximo religador da rede e não derrubará o circuito todo. Em comparação grosseira, em vez da queda de árvore causar falta de energia em diferentes ruas de dois bairros, como ocorre hoje, apenas um seria afetado.

Os religadores estão sendo instalados desde o fim do ano. Os bairros mais arborizados, de difícil acesso e com maior número de consumidores, receberão mais unidades. Cerca de 500 já foram instaladas na Vila Pompeia, na zona oeste; Pirituba, na norte; e Itaquera, na leste. Serão 2.300 até dezembro.

"O sistema já está respondendo de forma positiva. Para o próximo ano, a expectativa é reduzir ainda mais a duração e a frequência das quedas de energia", afirma Sidney Simonaggio, diretor executivo de Operações.

Simonaggio cita índices de qualidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O número de horas em que a região atendida pela concessionária ficou sem luz nos primeiros três meses deste ano foi de 9h58, enquanto que em 2010, no mesmo período, foi de 12h40 - queda de 21%. A frequência de quedas também caiu, de 6,29 para 5,43 (redução de 16%).

Reclamações. Apesar dos índices da Aneel, as queixas contra a Eletropaulo feitas à Arsesp (agência reguladora do setor no Estado) cresceram. Foram 127 na capital no primeiro trimestre de 2010 e 174 em período semelhante em 2011 - mais 37%.

O total de atendimentos referente a interrupções de energia também aumentou, de 2.857 para 4.083 - mais 43%. Neles estão incluídas ligações classificadas pela Arsesp como pedidos de informações sobre as quedas de energia, que foram 2.730 no primeiro trimestre de 2010 e 3.909 no de 2011 - aumento de 43%. A Eletropaulo atende 6,2 milhões de unidades consumidoras.

Entre as quedas deste ano estão a falta de energia por mais de três horas no dia 13 de abril na zona leste de São Paulo, que deixou cerca de 200 mil pessoas sem água, por causa da impossibilidade de bombeamento. Há dez dias, a exposição Água na Oca, no Parque do Ibirapuera, chegou a ser fechada no começo da tarde por falta de energia.

Podas

Em 2010, a Eletropaulo fez 320 mil podas de árvores e galhos com risco de danos à fiação, mais do que o dobro de 2009: 150 mil. A Prefeitura de São Paulo fez 86 mil podas em 2010.

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