Relator de CPI diz que Congonhas precisa ser 'desinflado'

Em entrevista, senador Demóstenes Torres faz duras críticas ao Ministério da Defesa e à Infraero

Mel Bornstein, do estadao.com.br,

18 de julho de 2007 | 16h31

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), relator da CPI do Apagão Aéreo no Senado, fez duras críticas ao Ministério de Defesa em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 18, um dia após a tragédia com o avião da TAM, que causou 190 mortes e já é considerado o maior acidente da história da aviação brasileira. "O ministério é algo inútil, não coordena nada", afirmou. E atacou a Infraero, estatal que administra os aeroportos: "A Infraero precisa ser limpada, fazer procedimento Detefon (veneno para matar insetos)". Segundo ele, investigações da comissão revelaram que a empresa fraudava contratos.   Veja também: Lista das 186 vítimas do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas? O local do acidente Os piores desastres aéreos do BrasilConheça o Airbus A320   Torres disse também que o Aeroporto de Congonhas, onde se deu a tragédia, precisa ser "desinflado", já que opera "muito acima de sua capacidade". Ele citou como possíveis alternativas uma ampliação do Campo de Marte, também em São Paulo, ou um melhor aproveitamento de cidades como Sorocaba, Campinas e Jundiaí. Para o senador, o sistema aeroportuário em geral é o "culpado pela tragédia".   Perguntado se a falta de ranhuras teria causado o acidente, admitiu: "Até dá vontade, mas não podemos afirmar que esse foi o motivo". E explicou que as ranhuras, também chamadas de "grooving", são uma cautela para que, em determinados locais, onde tem muita água, a aderência seja melhor.   Mas ele afirma que essa medida é apenas uma precaução porque "tem aeroportos que não possuem as ranhuras em locais chuvosos". Torres informou que a perícia da pista será coordenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e executada pelo Exército. Ainda segundo ele, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê R$ 3,5 bilhões de investimento em estrutura aeroportuária "mas seriam necessários R$ 10 bilhões". "O Ministério da Defesa não tem planejamento", reiterou, "o presidente "presidente deveria colocar um coordenador de fato na pasta".

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