Relato do réu contradiz testemunhas

Lindemberg nega depoimentos dados pela família de Eloá, por amigos e policiais e diz que havia reatado namoro dias antes da tragédia

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h04

As contradições em relação aos depoimentos de testemunhas do caso marcaram o interrogatório de Lindemberg Alves, de 25 anos, ontem, no Fórum de Santo André, no ABC. A principal delas se refere a uma suposta traição de Eloá Pimentel. Amigos, no entanto, afirmam que a jovem não tinha nenhuma outra relação e já não namorava Lindemberg.

Segundo o réu, o casal havia rompido um mês antes do crime. Ele declarou, porém, que "cinco ou seis dias" antes de 13 de outubro (início do cárcere privado), tinha reatado com Eloá. Com ciúmes, após a adolescente flagrá-lo com uma outra jovem que conhecera em um samba, ela teria pedido para voltar.

Apesar da reconciliação, o namoro seria mantido em segredo. Mesmo assim, Lindemberg afirmou que continuou a frequentar a casa da vítima. Foi o que disse ter feito depois do almoço do dia 13, quando sabia que Eloá já havia voltado da escola, pensando que a encontraria sozinha. No apartamento, porém, estavam também Nayara Rodrigues da Silva, o então namorado dela, Iago Vilera de Oliveira, e Victor Lopes de Campos, todos com 15 anos na época. "Ela ficou nervosa porque pensava que eu estaria trabalhando e ficou tentando se explicar, porque sabia que eu não conhecia o Victor."

Lindemberg afirma ter ouvido do próprio Victor que ele teria "dado uns beijos nela", sem saber que Eloá havia reatado com o namorado - informação que não bate com o depoimento do rapaz e de seus amigos.

O réu disse ainda que, só após a suposta confissão de Eloá, sacou a arma, outra informação diferente da apresentada por testemunhas. Nayara, por exemplo, diz que ele mantinha a arma em punho o tempo todo.

Após sacar a arma, Lindemberg relata que Eloá ficou "mais calma". Na sequência, foi ao quarto onde estavam os três amigos e pediu que se retirassem. "Mas eles não aceitaram, disseram que só desceriam com ela." Os rapazes alegaram ter sido agredidos a coronhadas, o que também não bate com o depoimento de Lindemberg. Mais tarde, segundo ele, Iago e Victor só saíram do apartamento porque passaram mal. Os três negaram que estivessem livres para sair.

Outra contradição diz respeito à chegada do réu ao apartamento. O irmão de Eloá, Everton Douglas Pimentel, afirmou que foi deixado por Lindemberg em um parque longe de casa só para que o acusado pudesse ficar sozinho com Eloá. O réu, porém, afirma ter conversado com o rapaz por apenas dez minutos.

Lindemberg também não assume ter atirado da janela contra o sargento Atos Valeriano. "Estava muito nervoso e tomei atitudes impensadas. Atirei no chão para manter a polícia longe." Segundo jovens mantidos reféns, ele teria até comemorado o fato de quase ter atingido o policial.

Pela versão de Lindemberg, uma sucessão de acasos levou ao fim trágico. A começar pela arma usada, comprada por R$ 700 de um homem que conheceu em um parque após receber três ameaças de morte por telefone. "Era um senhor que precisava do dinheiro para voltar para a terra dele." O rapaz também afirmou só ter ido ao apartamento de Eloá porque um dia antes havia ido a uma balada e perdido a hora do trabalho. / ADRIANA FERRAZ e ARTUR RODRIGUES

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