Relato de engenheiro reforça versão de falha humana em acidente no Hopi Hari

Parque estranha hipótese e diz que funcionários são treinados; menina de 14 anos morreu após queda

Tatiana Fávaro, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2012 | 18h32

CAMPINAS - Em depoimento prestado na delegacia de Vinhedo nesta terça-feira, 28, engenheiro de manutenção do parque de diversões Hopi Hari considerou impossível uma falha mecânica no brinquedo La Tour Eiffel, do qual caiu a adolescente Gabriella Yukari Nichimura, de 14 anos, que morreu na última sexta-feira, 24. O depoimento do funcionário, cujo nome não foi divulgado, reforça a principal hipótese levantada pela Polícia Civil e pela Promotoria para explicar o acidente: a de falha humana.

O delegado Álvaro Santucci Noventa Júnior deve ouvir os pais de Gabriella, gerentes do parque e

os cinco operadores do brinquedo do qual caiu a menina nos próximos dias. Segundo ele, as datas ainda não estão definidas porque os pais da menina estão muito abalados e os funcionários que atuavam na atração, afastados de suas atividades profissionais por orientação médica e para recebem acompanhamento psicológico.

O engenheiro do Hopi Hari falou por aproximadamente três horas ao delegado e aos promotores de Justiça de Vinhedo Rogério Sanches (Criminal) e Ana Beatriz Sampaio Silva Vieira (Consumidor).  De acordo com o advogado do Hopi Hari neste caso, Alberto Zacharias Toron, o engenheiro tem vasta experiência no ramo e, para ele, uma falha mecânica não seria possível uma vez que os brinquedos passam por inspeções muito rigorosas, além de vistoria diária.

Segundo Toron, o parque estranha, ainda, a hipótese de falha humana, já que seus funcionários passam por treinamentos. "O Hopi Hari está à disposição dos órgãos envolvidos na investigação, até porque a família tem o direito de ter uma resposta", disse. O parque funciona de sexta a domingo nesta temporada e o brinquedo permanecerá interditado até o fim das investigações.

Para o Noventa Júnior, as perícias realizadas na sexta, dia do acidente, nesta segunda-feira e também o depoimento do engenheiro sobre o funcionamento do equipamento indicam que um cinto de segurança deixou de ser afivelado ou não existia no momento do ocorrido. Durante os testes da perícia, todas as cadeiras aptas a funcionar estavam com uma trava e um cinto. O sistema não apresentou falhas, mas foi possível identificar que mesmo sem abaixar a trava ou afivelar o cinto o equipamento funciona normalmente, sem dar nenhum alerta.

Funcionamento. O "elevador", como é chamado o brinquedo, possui cinco conjuntos com quatro cadeiras cada um, que sobem a uma altura de 69,5 metros, o equivalente a um prédio de 23 andares. Descem em queda livre em uma velocidade de até 94 quilômetros por hora. Gabriella teria caído após a primeira frenagem do brinquedo, de uma altura entre 20 e 30 metros. 

Antes de subir, o visitante é preso por uma trava vertical, apoiada contra o peito e a barriga. Desde 2003, quatro anos após o início das atividades do parque, o fabricante do brinquedo, na Suíça, determinou também a instalação de um cinto ligando a trava ao assento, um equipamento complementar de segurança.

Em entrevista ao 'Fantástico' no último domingo, a mãe de Gabriella, Silmara, disse que notou que o cinto da filha não estava fechado. Segundo Silmara, um funcionário teria dito que não havia problema e que o brinquedo era seguro. "A gente não sabe o que ela (mãe) quis dizer: se não havia o cinto ou se ele não foi afivelado", disse o delegado. "O

depoimento da mãe é um dos mais importantes, porque ela estava no brinquedo", afirmou.

Investigação. A polícia solicitou imagens das câmeras de segurança do parque e pede a visitantes que tenham feito vídeos do brinquedo La Tour Eiffel na sexta-feira que enviem o material para ajudar nas investigações. O delegado prevê que o inquérito leve 60 dias para ser concluído.

O Ministério Público pediu ao parque documentos de inspeção e laudos técnicos. "A oitiva de hoje foi interessante para a nossa convicção, tanto na área criminal, quanto do consumidor", disse o promotor Rogério Sanches. O parque informou, em nota oficial, que vai colaborar com a investigação.

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