Relato de crianças leva monitor de colégio na Grande SP à prisão

Denúncia é única base para detenção, feita em maio; colégio de classe alta teve abaixo-assinado de pais pela soltura

O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2014 | 23h29

SÃO PAULO - O monitor de um colégio de classe alta em Barueri, na Grande São Paulo, está preso desde maio acusado de abusar de três meninas de 3 anos durante uma aula de Educação Física, em abril. Revelado nesta terça-feira, 18, pelo jornal Folha de S. Paulo, o processo aponta que Antônio Bosco de Assis, de 44 anos, está preso com base apenas no relato das crianças. Não consta do documento imagens das câmeras do circuito interno da escola, laudos médicos periciais ou testemunho das pessoas que estariam com o monitor no momento do crime.

“Não há laudo de hospitais especializados. Mesmo assim, consultas médicas com pediatras particulares atestam que não há como concluir que houve algum tipo de abuso. Não juntaram as filmagens feitas na escola, embora elas existam”, diz a advogada de defesa, Anabella Marcantonatos. “O que eu estou pedindo é que seja aberta uma nova instrução, porque ele não teve oportunidade de se defender. Ele está preso sem provas”, afirma.

Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), o abuso aconteceu no dia 22 de abril. Bosco foi acusado de “aproveitar-se da momentânea ausência de vigilância” de outros funcionários para despir e tocar as crianças, de acordo com a Folha de S. Paulo. Ainda segundo a reportagem, a professora de Educação Física, ouvida pela polícia, declarou que as meninas não ficaram, “em hipótese alguma”, desacompanhadas. 

As imagens das câmeras, apesar de terem sido analisadas, não foram descritas no processo. As meninas identificam Bosco na delegacia como “o tio malvado”. Segundo Anabella, ele havia interpretado um vilão em uma peça da escola alguns dias antes, o que pode ter induzido as crianças a confundir ficção e realidade.

Abaixo-assinado. Bosco foi demitido ainda em abril, assim como a professora. Nesse dia, ele encontrou sua ex-chefe, Eliana Ferreira Rosa, pedagoga de 47 anos, na saída da escola. “Eu fui buscar meu filho e o Antônio me disse que tinha sido mandado embora. Ele afirmou que a diretora chorava muito na hora e alegou que era uma reestruturação. Uma semana depois, sem saber o porquê, ele estava preso”, diz Eliana. 

Ela foi a responsável pela contratação do monitor há nove anos. Os dois trabalharam juntos por sete anos. “Tenho 25 anos de pedagogia e a gente sabe que criança pequena fantasia muito. Além disso, a gente sabe que teve interferências no processo. Ele é humilde, de poucas posses, e as pessoas têm de achar um bode expiatório”, diz.

Eliana e outros 65 pais de alunos fizeram um abaixo-assinado, que foi anexado ao processo por Anabella, em que pedem um julgamento justo.

Responsável pela denúncia, o MPE informou em nota que seu trabalho “foi feito com argumentação direcionada ao convencimento do Juízo a respeito do que aconteceu e está provado nos autos”. O promotor não quis se pronunciar. 

Já a Polícia Civil disse que o processo corre em segredo de Justiça e “o pedido de prisão do acusado foi endossado pelo MPE e acolhido pelo Judiciário com base nas provas colhidas pelas investigações conduzidas pelo 2.º DP de Barueri”.

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