'Rejeitados' reclamam de justificativas pouco claras

Mesmo com 95% de taxa de aprovação, Brasil ainda coleciona casos de gente que teve o visto americano negado

O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2012 | 03h04

Acelerar o processo de obtenção de visto para estrangeiros de "baixo risco". Essa foi a expressão usada pelo presidente Barack Obama para classificar, inicialmente, crianças, idosos e pessoas que já tiveram o visto aprovado alguma vez. Mesmo com uma taxa de aprovação que chega aos 95%, o Brasil ainda coleciona casos de gente que teve o visto americano negado por uma razão que nem sempre fica clara para os "rejeitados": a falta de vínculos com o País.

Foi o que aconteceu com o advogado pernambucano Gabriel Maciel Fontes, de 27 anos. Em 2010, depois de morar por seis meses nos Estados Unidos como intercambista, Fontes voltou ao Recife antes que seu visto de estudante expirasse. Alguns meses depois, foi ao consulado, dessa vez para renovar um visto de turista antigo, já expirado. Em poucos minutos de entrevista, foi dispensado. "Eles acharam estranho o fato de eu ser formado em Direito e, na época, trabalhar como professor de português. Também alegaram o fato de eu ser solteiro", conta.

Fontes recebeu uma carta do consulado com a negativa e a recomendação de que ele tentasse o visto novamente quando houvesse "alteração no status social e econômico". "Hoje estou advogando e ganho mais. Mas perdi totalmente a vontade de ir para lá. Já cheguei a pagar a taxa de agendamento quatro vezes, mas não fui na entrevista", afirma.

A jornalista gaúcha Marcia Breda, de 27 anos, tinha emprego fixo, salário bom e o sonho de conhecer Nova York quando o visto foi negado. "Eles falaram que eu era muito nova e tinha perfil de quem queria ficar lá. Sugeriram que eu fosse para a Europa conseguir alguns carimbos no passaporte", diz. E ela foi.

Dois anos depois, em 2009, Marcia tentou de novo e conseguiu ser aprovada. "O engraçado é que, de lá para cá, quase nada mudou. Continuo no mesmo emprego, ganhando a mesma coisa. Só fiquei mais velha e fui para a Europa", conta Marcia, que já foi para Nova York duas vezes desde então. / N.C.

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