Reivindicação de 20 anos, duplicação da Régis em Juquitiba começa em abril

Ibama dá licença ambiental para obra no trecho de pista simples da BR-116; projeto prevê 24 pontes e viadutos e deve custar R$ 700 mi

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SOROCABA, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2012 | 02h03

O último trecho de pista simples da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), principal ligação entre São Paulo e o Sul do País, começará a ser duplicado em abril. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou anteontem as obras de transposição da Serra do Cafezal.

A licença de instalação, assinada pelo presidente do órgão, Volney Zanardi Junior, permite duplicar o trecho mais íngreme e perigoso da serra, entre o km 344 e o km 363. O início das obras só depende da conclusão de processos de desapropriação.

A duplicação da serra é reivindicada há mais de 20 anos por prefeitos do Vale do Ribeira, região cortada pela rodovia. É a principal obra prevista no contrato de concessão assinado com a empresa OHL em fevereiro de 2008. O trecho é o único em pista simples dos 402,6 quilômetros entre São Paulo e Curitiba - outros 11, nas extremidades da serra, estão em fase final de obras.

Essa autorização de construção esbarrava na questão ambiental. A rodovia corta um trecho exuberante de Mata Atlântica, em uma região repleta de nascentes. A duplicação seria iniciada em 2002, mas o Ibama cancelou a licença.

O projeto foi modificado para reduzir a área desmatada. O trecho terá 24 pontes e viadutos (5,66 km) e quatro túneis (1,84 km), que correspondem a 40% da extensão da obra. Ainda assim, 114 hectares serão desmatados, dos quais 34 em Área de Preservação Permanente (APP). A empresa terá de adotar medidas para reduzir e compensar os danos ambientais. A duplicação teve o custo elevado para R$ 700 milhões.

Superintendente da concessionária, Eneo Palazzi lembra que toda a rodovia, inaugurada em 1961, foi feita em seis anos. Se a mesma fosse construída hoje seriam necessários mais de 20 anos, "em razão das restrições ambientais". Ele acredita que as obras no trecho devem ultrapassar o prazo de três anos previsto inicialmente.

Arrastões. Além do risco dos acidentes, motoristas e usuários também são alvo de ladrões. De acordo com a PRF, grupos de marginais, sobretudo jovens, aproveitam o afunilamento da pista na Serra do Cafezal para atacar os veículos. Os principais alvos são os caminhões-baú de grandes transportadoras que geralmente carregam cargas de maior valor.

Agora, os ladrões passaram a atacar também carros de passeio em busca de celulares, máquinas fotográficas e computadores portáteis. Um mapeamento da PRF indicou como pontos mais vulneráveis o trecho entre o km 334 e o km 337, no Distrito dos Barnabés, em Juquitiba, no início da descida, e os arredores do km 340, no Bairro do Engano, em Miracatu, onde começa a subida da serra. A Polícia Rodoviária informou que aumentará em 10% o número de policiais na Régis, no início do ano, para coibir arrastões e ataques; o aumento de efetivo é de 30% desde outubro.

Congestionamento de fim de ano. Lentidão chegou a 20 km nesta semana e Polícia Rodoviária prometeu reforço nas férias para conter arrastões na região

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