Reitoria da USP pedirá reintegração de posse

Alunos farão hoje assembleia para definir futuro do protesto. Reitor não se manifesta

Carlos Lordelo, Márcio Pinho, Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2011 | 03h04

A comissão de negociação da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) decidiu pedir na Justiça a reintegração de posse do prédio, ocupado desde a madrugada de ontem por manifestantes contrários à presença da Polícia Militar no câmpus. O pedido será feito hoje. "Espera-se que a situação se resolva sem que sua execução seja necessária", afirmou a comissão em nota. O reitor, João Grandino Rodas, não faz parte do grupo.

Estudantes invadiram a Reitoria depois de votação em assembleia na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) decidir pela desocupação do prédio da faculdade, invadido desde a semana passada, quando PMs detiveram três alunos da Geografia que fumavam maconha no câmpus.

A principal reivindicação dos estudantes é a saída da polícia da Cidade Universitária - um convênio entre PM e USP foi firmado depois do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio, no estacionamento da Faculdade de Economia e Administração. Eles também pedem a revogação de processos administrativos contra alunos, funcionários e professores.

Cerca de 30 estudantes permaneciam ontem à tarde do lado de fora da Reitoria - a maioria cobria o rosto com panos e camisas, mas já sem pedras e paus que usaram na ocupação. Uma assembleia foi marcada para as 20h de hoje, quando deve ser decidido se a ocupação da Reitoria vai continuar.

A invasão deve afetar serviços importantes que funcionam no local. Bolsas de estudo, convênios, serviços administrativos das pró-reitorias e de recursos humanos são alguns deles. Os funcionários dessas áreas devem trabalhar temporariamente em outros edifícios enquanto durar a ocupação.

O expediente do reitor João Grandino Rodas também será afetado - seu gabinete foi ocupado pelos estudantes. Até que a situação se resolva, ele vai despachar de outros lugares e até de fora do câmpus. Alguns funcionários da Reitoria foram trabalhar ontem, mas nem chegaram a entrar no prédio.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) não falou ontem sobre o assunto.

Faxina. Ontem, o prédio da FFLCH continuava ocupado durante o dia - os alunos prometeram fazer uma faxina para deixar o local "do jeito que encontraram". O prédio está pichado com inscrições "Fora Rodas" e "Fora PM".

Apesar dos protestos, a presença da PM seguiu como de rotina, com cinco carros circulando pelo câmpus. Francisco de Oliveira e Luiz Renato Martins, professores da FFLCH e da Escola de Comunicação e Artes (ECA), visitaram a Reitoria ontem para manifestar apoio à ocupação.

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