Reitoria da USP é depredada por alunos

PM prende 2 em reintegração após 42 dias de ocupação; no prédio foram encontrados equipamentos destruídos e paredes pichadas

Bárbara Ferreira Santos e Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2013 | 02h09

Dois alunos foram presos na manhã dessa terça-feira, 12, durante a reintegração de posse da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), após uma ocupação de 42 dias. Dentro do prédio, a Tropa de Choque da Polícia Militar encontrou mesas reviradas, equipamentos destruídos e paredes pichadas. Os detidos foram indiciados por furto e dano ao patrimônio público, além de formação de quadrilha.

Além de funcionário da universidade, João Vítor Gonzaga Campos, de 27 anos, é estudante de Filosofia, assim como Inauê Taiguara Monteiro de Almeida, de 23. De acordo com a Polícia Civil, eles foram detidos em flagrante, às 6 horas, durante tentativa de fuga. O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), no entanto, informou que Campos e Almeida não participavam da ocupação e foram abordados quando voltavam de uma festa no Centro Acadêmico de Filosofia.

Os outros manifestantes não ofereceram resistência e saíram do prédio antes da chegada da PM, avisados por colegas que faziam vigília em diversos pontos da Cidade Universitária. Os estudantes também soltaram rojões para alertar sobre a presença da PM no câmpus. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, cerca de 30 alunos se revezavam no prédio nos últimos dias. A reintegração de posse havia sido autorizada pelo Tribunal de Justiça no dia 5.

"A manutenção dos dois na prisão depende do Judiciário, mas nosso entendimento é de que houve graves prejuízos ao patrimônio público", disse o delegado do 93.º DP (Jaguaré), Celso Lahoz Garcia, para onde os presos foram encaminhados. Segundo ele, outros alunos podem ser detidos por envolvimento nos supostos furtos e depredações. Um inquérito foi instaurado em 1.º de outubro, início da ocupação, para apurar ilegalidades nos protestos.

Para o advogado do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Felipe Vono, as prisões foram "arbitrárias e a acusação de formação de quadrilha é um absurdo". Segundo ele, os detidos foram agredidos pelos policiais. Vono pediu a soltura dos alunos na Justiça, mas, até a noite de ontem, eles continuavam detidos. Os estudantes iriam passar a madrugada em vigília na frente do DP. A PM informou que queixas podem ser prestadas no plantão da Corregedoria.

Depredações. Segundo a Assessoria de Imprensa da USP e a Polícia Civil, há registro de computadores e troféus históricos desaparecidos. Havia equipamentos destruídos, portas arrombadas e mesas reviradas. As pichações nas paredes e pilastras traziam mensagens contra a atual gestão. A auditoria patrimonial será concluída até amanhã e o prédio deve voltar a funcionar em duas semanas.

A USP, em nota, lamentou as depredações no edifício, onde trabalham cerca de mil servidores. O texto diz que a sociedade se cansou "desse método violento e ilegal utilizados por certas minorias". Segundo a USP, o DCE deve ser responsabilizado pelos prejuízos.

A estudante de Letras e diretora do DCE, Arielli Tavares contesta as acusações. "A orientação do movimento, desde o início, era de zelo ao patrimônio público." Para ela, os alunos deveriam participar da vistoria.

Arielli criticou a falta de abertura da reitoria para diálogo e disse que houve autoritarismo na desocupação. "A reitoria não marcou outro encontro de negociação desde a semana passada", disse. A reitoria e os representantes do DCE fizeram cinco reuniões desde outubro, mas não chegaram a um acordo. A USP não prevê novos encontros de negociação. Hoje à noite, os alunos fazem assembleia para decidir o movimento.

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