Reitoria autoriza PM na Unicamp

Medida, criticada por alunos e funcionários, foi tomada após morte de estudante durante briga em festa dentro do câmpus de Campinas

RICARDO BRANDT / CAMPINAS , O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h14

A reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiu autorizar a entrada da Polícia Militar (PM) nos seus três câmpus - Campinas, Piracicaba e Limeira -, após a morte do estudante Denis Papa Casagrande, de 21 anos, esfaqueado durante uma briga em uma festa clandestina, no sábado passado. A medida recebeu críticas de entidades que representam os estudante e trabalhadores da universidade.

"A Unicamp aceitou prontamente a oferta do governador (Geraldo Alckmin) para que a polícia pudesse entrar e circular pelo câmpus. Essa atitude era até desnecessária, porque a polícia sempre teve competência constitucional para fazer", afirmou ontem a pró-reitora de desenvolvimento universitário, Teresa Atvars.

Na quarta-feira, Alckmin colocou a Polícia Militar à disposição da Unicamp para fazer a segurança no câmpus e citou a Universidade de São Paulo (USP), que também permitiu a entrada da polícia há dois anos.

Segundo a pró-reitora, o assunto será levado para debate no conselho universitário, posteriormente. "Vamos discutir uma regulamentação, que evite conflitos e excessos." Mas ela garantiu que festas clandestinas e com grande concentração de pessoas serão coibidas.

"Movimentos que envolvam milhares de pessoas não podem ser tratados no âmbito de vigias como temos aqui. É necessário outros mecanismos externos", afirmou a pró-reitora. A Unicamp tem 250 vigias particulares. "Isso não é uma casa de shows, não é um clube, um local de baladas e festas. É uma instituição de ensino e pesquisa."

O comando da Polícia Militar informou, por meio de assessoria, que ainda não foi oficializado o pedido e ainda aguarda posição do Estado para saber como será feita essa ação.

A PM informou que sempre respeitou a autonomia das universidades, por isso só entrava no câmpus em chamados de ocorrência.

Debate. A presença policial na universidade é polêmica. O Diretório Central Estudantil (DCE) e o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) são contra. "A reitoria está usando o crime para implementar medidas que há muito tempo tenta executar, como a restrição física de acesso ao câmpus e a militarização do espaço", criticou uma das coordenadoras do DCE, Diana Nascimento, de 23 anos. "Somos contra essas medidas. Em 2002, um aluno foi morto pela PM no câmpus de Limeira. Ele era o único negro ali e foi confundido com um assaltante."

Para o STU, pode haver excesso nas ações da PM. "O que preocupa é que a ação, além de coibir atividades festivas, pode inibir as mobilizações", afirmou Antônio Alves Neto, do STU. A pró-reitora afirmou que quer ampliar o debate da PM no câmpus para a sociedade. "A reitoria vai ouvir a comunidade no amplo sentido, não só o DCE, só o STU ou a Adunicamp (associação dos docentes)", disse Teresa.

Investigação. A Polícia Civil deve indicar a atendente Maria Teresa Pelegrino, de 20 anos, e seu namorado, Anderson Mamede, de 20 anos, como autora e coautor do assassinato do estudante Denis Papa Casagrande, no dia 21.

Maria Teresa confessou o crime e disse que agiu em legítima defesa, porque a vítima teria tentado agredi-la. Mamede, que também ficou ferido, confessou que deu a facada na própria perna para evitar que fosse linchado no local.

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