Reintegração no Jardim Botânico do Rio termina com dois feridos

Associação diz que PM usou balas de borracha, o que a corporação nega; Justiça exigiu saída de clube, erguido há 50 anos

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2014 | 02h01

Pelo menos duas pessoas ficaram feridas durante a reintegração de posse do terreno de um clube construído há 50 anos na área do Jardim Botânico, zona sul do Rio, na manhã de ontem. No início da tarde, cerca de cem moradores da comunidade do Horto protestaram contra a ação. Eles interditaram por três horas a Rua Jardim Botânico, no sentido Gávea, e seguiram em passeata até a 15.ª DP para registrar denúncia de violência policial. A reintegração foi determinada pela Justiça Federal.

Por volta de 10h30, PMs arrombaram o portão do Clube Caxinguelê e lançaram bombas de efeito moral e spray de pimenta contra um grupo de manifestantes. Dois moradores ficaram feridos e prestaram queixa por lesão corporal. Outros dois passaram mal em meio ao tumulto e foram socorridos.

De acordo com a presidente da Associação de Moradores do Horto, Emília Santos, os dois feridos foram atingidos por balas de borracha. Oficialmente, a PM negou o uso dessa munição.

"Removendo o clube, amanhã vão remover os moradores. O Caxinguelê foi fundado por nossos pais, há 50 anos, com autorização do Jardim Botânico. Estão abrindo um precedente para retomar as remoções", afirmou Emília, irmã do deputado federal Édson Santos (PT-RJ).

Durante a caminhada, não houve registro de tumulto. Manifestantes criticavam remoções em favelas e gritavam: "Não vai ter Copa". Antes de seguir para a delegacia, o grupo fez um protesto na frente do portão de acesso do Museu do Meio Ambiente, que fica dentro do Jardim Botânico.

Litígio. O parque foi fechado à visitação. Em nota, a presidente do Jardim Botânico, Samyra Crespo, alegou que "as atividades de um clube, com eventos esportivos, festas e iluminação forte à noite, não se coadunam com a natureza nem missão do Instituto de Pesquisas". "Há um ano, foi tomada decisão histórica: a reintegração do território pertencente ao Jardim Botânico, hoje ocupado por moradores que foram ali se instalando em diferentes décadas e contextos.", disse Samyra.

A desocupação do Caxinguelê foi decidida após quase 20 anos de litígio. "O clube está dentro do arboreto tombado pelo Iphan", acrescentou Samyra. Segundo ela, "em breve" será instalado no lugar do clube uma nova estufa de orquídeas.

A nota não menciona a situação das 500 famílias que devem ser removidas. Durante anúncio do Cadastro Ambiental Rural, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que os retirados do Jardim Botânico serão incluídos no Minha Casa Minha Vida. / COLABOROU MURILO RODRIGUES ALVES

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