Marcos Bezerra/Futura Press
Marcos Bezerra/Futura Press

Reintegração na USP termina em confronto e 3 ônibus são incendiados

Terreno da universidade foi invadido na sexta-feira por moradores da favela San Remo; sem-teto atiraram rojões e pedras contra a polícia, que revidou com bombas de gás e balas de borracha

Felipe Resk e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

23 Dezembro 2014 | 11h31

Atualizada às 22h28

SÃO PAULO - Uma reintegração de posse em um terreno ao lado da Universidade de São Paulo (USP), pertencente à instituição, no Butantã, zona oeste da capital, terminou com três ônibus incendiados e confronto entre sem-teto e a Polícia Militar, na manhã desta terça-feira, 23. A área, chamada de Quadra 10 e ocupada por cerca de 300 pessoas, de acordo com a PM - 600 famílias, segundo os invasores -, fica perto do portão 3 da universidade e foi invadida na sexta-feira.

Por causa da ação, a empresa Gato Preto, uma das atacadas, suspendeu a circulação de ônibus dentro do câmpus por tempo indeterminado.

O cumprimento da reintegração de posse começou por volta das 6 horas. Três horas depois, um grupo de 15 pessoas, que se opunha à desocupação do terreno, parou os coletivos, ordenou que os passageiros descessem, ateou fogo e fugiu. Os invasores da área disseram desconhecer os autores da ação.

A São Paulo Transporte (SPTrans) informou que dois dos coletivos depredados eram da linha 702U (Butantã-Parque Dom Pedro II), da empresa Sambaíba, e um da linha 701U (Butantã-Santana), da Viação Gato Preto. Até as 17 horas, as carcaças dos coletivos ainda aguardavam pela perícia.

Bombas. Invasores e policiais militares ainda entraram em confronto. De acordo com a polícia, os sem-teto usaram rojões e pedras contra os policiais, que revidaram com bombas de gás e balas de borracha. Ninguém foi preso.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que a USP tem segurança própria, mas que o governo sempre apoia quando há necessidade. “Aqui em São Paulo, invadiu, ‘desinvade’. A orientação é sempre fazer isso rápido, em 24, 48 horas. Se demora muito, cria-se uma situação social mais complicada”, disse. Ele saiu em defesa da corporação. “São Paulo tem respeito à lei, apreço pela democracia. Onde tudo falha, a polícia vai cumprir a ordem da lei.”

A invasão recebeu o apoio do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). A entidade, no entanto, afirma não ter organizado nem participado da invasão. “Metade desse pessoal é funcionário terceirizado da USP, o sindicato, até por estatuto, defende todos que trabalham na universidade”, disse o presidente do Sintusp, Magno de Carvalho. Ele disse, ainda, que os ocupantes não foram avisados da reintegração.

Por volta das 12h, ainda havia um grupo de sem-teto recolhendo pertences no terreno. Havia dezenas de barracas desmontadas, sacolas e até mochilas abandonadas. Alguns dos invasores vieram de outros terrenos de São Paulo ou moravam de favor na favela San Remo e outras comunidades da região. 

Os sem-teto reclamaram da falta de aviso sobre a reintegração. “Eles entraram no barraco e mandaram sair. Disseram que eu tinha direito de ir embora rápido”, contou um dos invasores, que não quis se identificar.

O diretor do Diretório Central de Estudantes da USP, Camilo Martin, criticou a postura da universidade. “O terreno está há muitos anos desocupado.”

Reurbanização. Em nota, a USP informou que a liminar para reintegração foi concedida no domingo. A universidade reconheceu “a gravidade dos problemas sociais e habitacionais da população, evidentes na área adjacente já ocupada da comunidade San Remo”, mas afirmou ter “responsabilidade de manter a integridade dos espaços que compõem o patrimônio da universidade”.

A assessoria de imprensa da universidade afirmou que pretende reurbanizar a área para “melhorar a qualidade de vida” da região.

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