Reintegração de posse termina em confronto no centro de São Paulo

Reintegração de posse termina em confronto no centro de São Paulo

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, sem-teto colocaram fogo no 3º e 4º andares de prédio na Rua Conselheiro Crispiniano

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2014 | 15h28

Atualizada às 21h56

SÃO PAULO - A reintegração de posse de um prédio na região central de São Paulo acabou em confronto entre um grupo de sem-teto e a Polícia Militar, na madrugada desta quarta-feira, 19. Cerca de 150 famílias precisaram sair do edifício, na Rua Conselheiro Crispiniano, que estava ocupado havia mais de um ano. Lá também funcionava a sede do Movimento Sem-Teto de São Paulo (MSTS).

Segundo moradores, a Polícia Militar chegou por volta das 3 horas, antes do horário marcado, às 6 horas. “Eles pegaram todo mundo de surpresa”, disse um dos sem-teto. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que a PM participou de reuniões com representantes do movimento e com órgãos envolvidos na ação, para que a reintegração fosse pacífica.

Os ocupantes começaram a deixar o prédio ainda de madrugada. Por volta das 4 horas, um grupo, com cerca de 200 sem-teto, tentou arrombar e invadir outros dois edifícios, nas Ruas Boa Vista e Barão de Limeira, também no centro. A Polícia Militar impediu as novas invasões e usou bombas de efeito moral e balas de borracha. Duas pessoas foram detidas.


Os moradores acusaram a PM de truculência. Segundo eles, duas mulheres teriam sido agredidas, uma grávida empurrada e uma criança, ferida por estilhaços de bomba. “Eu estava com um bebezinho de três meses no colo e os policiais jogaram spray de pimenta”, disse a doméstica Edilene Francisca da Conceição, de 38 anos, que morava com 12 filhos na ocupação. “A gente ia jogar nossos móveis na rua?”, questionou. 

O capitão Cássio César Galhardo, da 2.ª Companhia do 7.º Batalhão, afirmou que o grupo voltou para a Conselheiro Crispiniano, após as tentativas frustradas de invasão, onde tentou fazer um protesto queimando pneus. Houve novo confronto.

Incêndio. Revoltado, um grupo de moradores entrou no prédio para quebrar vidraças e atear fogo no local. Líderes e parte dos integrantes do próprio MSTS, contrários ao ato, tentaram conter as chamas. O Corpo de Bombeiros precisou ser acionado e dois andares foram atingidos. 

Os cerca de 500 desabrigados foram levados para o Cine Marrocos, a principal ocupação do MSTS, que fica do outro lado da rua. Segundo o delegado Reinaldo Castello, titular do 3.º Distrito Policial (Campos Elísios), será instaurado inquérito de incêndio, dano e perigo à vida e todos os envolvidos vão prestar depoimento.

Cine Marrocos. Ainda sem a reintegração de posse determinada pela Justiça, a Prefeitura de São Paulo planeja iniciar reformas no Cine Marrocos já no próximo semestre de 2015.

O edifício - desapropriado por R$ 60 milhões na gestão Gilberto Kassab (PSD) e ocupado pelo MSTS há um ano - vai abrigar a Secretaria Municipal de Educação e pastas relacionadas que hoje funcionam em espaços alugados. “Eles ocuparam sabendo disso. Infelizmente, a liderança está vendendo ilusões para as pessoas”, afirmou o prefeito Fernando Haddad (PT). Para o secretário de Educação, Cesar Callegari, o local não é próprio para moradia. “Os problemas elétricos são graves. Há risco de incêndio e de desabamento das esquadrias.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.