Weber Sian/A Cidade
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Reintegração acaba em conflito com feridos

Favela teve entrada bloqueada pelos moradores em Ribeirão Preto; polícia usou bombas de efeito moral e balas de borracha

Luís Henrique Trovo, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

RIBEIRÃO PRETO

Terminou em confronto a reintegração de posse de uma favela em Ribeirão Preto, no interior paulista, ontem de manhã. Cerca de 700 moradores bloquearam as entradas do local, a PM foi acionada e usou bombas de efeito moral e balas de borracha. Houve feridos, todos sem gravidade.

Situada no Jardim Aeroporto, a favela tem 230 barracos e, segundo a prefeitura da cidade, está em uma propriedade particular. De acordo com o secretário da Casa Civil, Luchesi Junior, o pedido de reintegração de posse foi feito à Justiça pelo proprietário do terreno.

Os primeiros a chegar ao local foram agentes da Guarda Civil Municipal. O capitão Paulo Sérgio Fabbris, da GCM, que inicialmente comandava a operação, negociou por cerca de uma hora e meia com os moradores. Sem sucesso, a Polícia Militar foi chamada e uma nova rodada de conversas começou, dessa vez com a presença de um representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Segundo Vanderlei Caixe de Filho, da OAB, "as famílias deveriam ser protegidas para não ficar ao relento e sem direito de defesa". Suas argumentações, porém, não foram suficientes, uma vez que existia uma ordem judicial expedida pelo juiz da 1.ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ribeirão Preto, Dr. Júlio César Spolatori Domingues.

Sem conversa. Durante as negociações, alguns moradores colocaram pedaços de madeira em locais estratégicos. Com 150 homens usando escudos, cachorros treinados e a cavalaria, a PM furou o bloqueio e invadiu a área para fazer com que as máquinas entrassem. Os moradores colocaram fogo em alguns pontos da favela e passaram a enfrentar os policiais, mas minutos depois a maioria deles recuou e os caminhões da prefeitura entraram na favela para recolher os pertences dos desalojados.

Moradores ficaram feridos, principalmente por balas de borracha, mas nenhum em estado grave. Até ontem à noite, porém, não havia números oficiais de feridos. Os pertences das famílias desalojadas foram encaminhados para um barracão a dois quilômetros da favela. As máquinas demoliram todos os barracos no decorrer do dia.

Em nota, a prefeitura afirmou que "foram disponibilizadas vagas no Centro de Triagem (Cetrem) da cidade para as famílias interessadas. Além disso, a prefeitura está cadastrando as famílias nos programas habitacionais do governo municipal. E também está entregando emergencialmente cestas básicas aos que precisam".

PM. Segundo o tenente Antônio Gustavo Rivoiro, da 15.ª Companhia da Polícia Militar, a corporação vai investigar denúncias de possíveis abusos na ação de reintegração de posse, tendo em vista que alguns moradores disseram apresentar marcas de violência.

Desalojados

Luiz Antônio dos Santos Filho

MORADOR DA FAVELA DO JARDIM AEROPORTO

"Precisaríamos de mais tempo de negociação. Muita gente não tem para onde ir"

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