Mister Shadow
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Regiões norte e nordeste do ES estão isoladas

Há 23 mortos e 2 desaparecidos. Ontem, Força Aérea utilizou cinco helicópteros para resgatar 160 pessoas em 3 municípios alagados

BRUNO RIBEIRO, ENVIADO ESPECIAL / COLATINA (ES), O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2013 | 02h02

Com localidades no norte e noroeste do Espírito Santo ainda isoladas por causa das fortes chuvas que atingiram o Estado, a Defesa Civil capixaba informou ontem que o número de mortos chega a 23. As buscas por corpos e sobreviventes continuam - a Força Aérea resgatou 160 pessoas. Isso porque apenas ontem, segundo dia de sol, foi possível chegar a cidades destruídas, como Itaguaçu. O número de desabrigados também cresceu: são 60 mil pessoas.

Os últimos corpos encontrados ontem eram de duas crianças, de 7 e 9 anos, que estavam desaparecidas desde a manhã do dia 24 em Colatina, no noroeste. A casa onde elas moravam ficava sob um muro de arrimo no bairro São Marcos e foi arrastada morro abaixo quando o muro cedeu. O local já estava interditado pela Defesa Civil.

"Estou há três dias sem dormir. Tenho medo de pensar em como minhas filhas vão sair de lá. Já vi gente grande saindo aos pedaços", disse o pai das meninas, que se identificou apenas como Leandro, ceramista, pouco antes da confirmação de que os corpos haviam sido localizados. Ao todo, foram oito mortes em Colatina - todas no mesmo local onde as duas crianças morreram. Os moradores estão proibidos de voltar para casa.

O centro ficou embaixo d'água até anteontem. Moradores contam que o isolamento foi total. "Estavam vendendo o galão de água a R$ 35", contou o frentista Ismael Nascimento, que está com parentes em casa. "São muitas bocas, por isso precisamos de cestas básicas."

Ontem à tarde, a Defesa Civil divulgou que 27 pessoas haviam morrido. À noite, corrigiu a informação para 23 mortos e 2 desaparecidos. A falha foi atribuída à dificuldade de comunicação com as secretarias municipais. Além das oito mortes em Colatina, foram registrados casos em Baixo Guandu (três), Itaguaçu (seis), Barra de São Francisco (quatro), Domingos Martins (um) e Nova Venécia (um).

Ontem, a Força Aérea utilizou cinco helicópteros para resgatar 160 pessoas em Linhares, Baixo Guandu e Itaguaçu e três aviões para entregar 19 toneladas de remédios e alimentos.

Os relatos mais dramáticos vêm de Itaguaçu. Lá, segundo a imprensa capixaba, moradores chegaram a buscar comida no lixo, pegando sacos de arroz jogados fora por um supermercado por estarem sujos de lama.

Conforme o Estado informou, a Defesa Civil suspendeu por 24 horas o envio de ajuda às áreas atingidas por dificuldades em organizar as doações.

Precariedade. O acesso às cidades do norte e nordeste começou a ser restabelecido, mas ainda continua crítico. Na BR-101, um trecho ficou interditado por causa de um deslizamento.

A rodovia também ficou complicada por causa de uma espécie de operação tapa-buraco. Um caminhão circulava entre Fundão e Santa Teresa até encontrar buracos. Ele parava na rodovia, bloqueando uma das pistas, e os funcionários desciam em direção ao buraco. Então, o local era preenchido com piche, nivelado com pás.

Militares chegaram ontem e uma das missões é reconstruir uma ponte na ES-080, cuja destruição impede o acesso à Barra de São Francisco. / Colaborou Clarissa Thomé

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