Região Serrana do Rio recebe kit antienchente

Com ameaça de fortes chuvas, governo distribui cartilha, imã e capa; obras não foram concluídas

THAISE CONSTANCIO / RIO, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2013 | 02h04

Com a formação de áreas de instabilidade sobre o Estado e a ameaça de fortes chuvas, a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio (SEA) distribuiu 1,7 mil kits com cartilha explicativa, ímã de geladeira com orientações para desocupação, pasta impermeável para guardar documentos e uma capa de chuva em áreas de risco de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo, na Região Serrana.

No verão de 2011, centenas de pessoas morreram na maior tragédia climática da história do País. As obras nas áreas de risco até hoje não foram concluídas.

O valor investido nos kits não foi informado pela SEA. Já a Universidade do Estado do Rio (Uerj) informou que oferece bolsa de R$ 300 para cada um dos 60 monitores que participam do curso de capacitação para guiar os moradores em caso de enchentes, deslizamentos e outros acidentes.

Ontem, o secretário estadual do Ambiente do Rio, Carlos Minc, esteve no Vale do Cuiabá, em Petrópolis, para participar de um simulado de enchentes com os moradores. Apesar da sirene da Defesa Civil e dos apitos dos monitores e voluntários, a adesão foi pequena. "Não acho que esses kits façam diferença. Estamos acostumados com as chuvas e já sabemos como agir", afirmou a dona de casa Rosângela Cabral, moradora da região. Para ela, as medidas são apenas paliativas.

Na quinta-feira, Rosângela quase perdeu o marido durante as fortes chuvas que caíram sobre o Estado. A água invadiu a casa onde mora com o companheiro e os quatro filhos e chegou até metade da parede. Um vizinho conseguiu tirar o marido dela da água.

A casa de Rosângela, como da maioria dos moradores do Vale do Cuiabá, fica às margens do Rio Cuiabá. No entanto, a mata ciliar, que deveria servir de proteção, foi retirada de diversos trechos, deixando uma grande área livre para a água chegar até as residências. Desde 2011, são feitas obras de alargamento de calha nos Rios Carvão, Santo Antônio e Cuiabá. Já a reconstrução de pontes, a construção de moradias e o reflorestamento não ocorreram.

Apesar dos investimentos em obras e da distribuição dos kits, o assessor de meio ambiente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ), Adacto Benedito, garante que o trabalho emergencial não é eficaz e teme outras tragédias. Para ele, seria preciso fazer obras preventivas e, nas épocas de estiagem, reflorestar. "Para controlar as enchentes, basta cumprir a lei. O Código Florestal estabelece as normas a serem cumpridas e as áreas a serem preservadas, mas não é seguido." Benedito afirma que seria melhor atuar nas bacias hidrográficas e construir barragens contra cheias nos rios e morros.

Atenção. Desde ontem, o Sistema de Alerta de Cheias do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mantém todos os rios em estado de atenção.

Na capital, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, comentou a situação dos moradores da Serra. "Apesar das restaurações, ainda há muitos problemas de ocupação ilegal em áreas de preservação permanente, como as beiras de rios. As cidades precisam ser mais sustentáveis e ter um sistema de alerta de chuva." / COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

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