Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Região Metropolitana e litoral de SP têm 14 mortes e 8 feridos

Em uma chacina na zona sul da capital, seis pessoas foram baleadas e três morreram durante um show sertanejo

Ricardo Valora - O Estado de S. Paulo,

22 Novembro 2012 | 07h26

Atualizada às 10h32

SÃO PAULO - Ao menos 14 pessoas foram assassinadas e oito feridas no litoral e na Região Metropolitana de São Paulo entre as 18h30 de quarta-feira, 21, e as 2 hora desta quinta-feira, 22, em um intervalo de menos de oito horas.

A soma da violência das duas últimas noites chega a 18 mortos e 20 feridos. Já o total da semana (últimas sete noites) é de 51 mortos e 41 feridos, segundo levantamento do estadão.com.br. A maioria dos casos será investigada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Três das vítimas da noite desta quarta-feira foram executadas em uma chacina no Jardim São Luiz, na zona sul da capital, elevando para 18 o número de crimes do tipo neste ano, com um total de 60 mortes. Foram sete crimes em São Paulo e 11 nas demais cidades. 

Chacina. Seis pessoas foram baleadas por volta das 23h30 dentro de um bar na Rua Albino Correia de Campos, na região do Jardim São Luís, zona sul da cidade. No local ocorria um show sertanejo. Os tiros foram disparados pelo garupa de uma moto. Armado, o desconhecido desceu do veículo, entrou no bar e abriu fogo. A dupla continua foragida. 

Dos seis baleados, três morreram - dois homens e uma mulher -, são eles: a produtora fonográfica Luciene Luzia Neves, de 24 anos, o autônomo Alexandre Figueiredo, de 38, e o mecânico Marcos Faustino Quaresma, de 31. Todos os feridos foram levados para o pronto-socorro do M' Boi Mirim. Kátia Gonçalves Pereira Nunes, 32, Márcio Silva Nunes, 34, e Emerson Vieira da Silva, de idade não informada, permaneciam internados. 

Em menos de uma semana, nos últimos seis dias, foram registradas quatro chacinas, com 14 mortos e oito feridos. Além do Jardim São Luiz, os crimes ocorreram em Cidade Ademar, também na zona sul da capital, e nas cidades de Taboão da Serra e Itaquaquecetuba.

MAPA DA VIOLÊNCIA

Homicídios na Grande São Paulo desde o  dia 24 de outubro.

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Confrontos. Três supostos confrontos entre suspeitos e a Polícia Militar deixaram um saldo de quatro mortos e um ferido. Não há policiais entre os baleados. O primeiro tiroteio ocorreu às 18h30 na Vila Clara, região de Americanópolis, zona sul da capital, entre PMs das Rondas Ostensivas com Auxílio de Motocicleta (Rocam) e suspeitos abordados em uma viela na altura do número 5.597 da Avenida Engenheiro de Armando Arruda Pereira. 

Assim que os policiais se aproximaram, segundo a PM, os criminosos sacaram armas e atiraram. No revide, três dos suspeitos foram baleados. Levados para o pronto-socorro municipal do Jabaquara, dois deles não resistiram. Os policiais apreenderam um revólver e duas pistolas, além de porções de crack e maconha.

Meia hora depois, em Mauá, no Grande ABC, um policial militar, de folga e à paisana, foi vítima de tentativa de assalto. Ao volante de um Gol branco, foi abordado por um assaltante em um dos semáforos da Avenida Capitão João, no Jardim Guapituba. O policial sacou sua pistola e reagiu, trocando tiros com o ladrão, que foi baleado e morreu a caminho do Hospital Nardini.
 
Uma hora e meia mais tarde, no Jardim Roseli, região de São Mateus, na zona leste de São Paulo, ocupando um Renault Clio cinza, um policial militar, também em horário de folga, foi atacado quando chegava em casa, na esquina da Rua Custódio do Nascimento com a Avenida Ragueb Chohfi. Ao perceber a aproximação de dois homens armados, ele sacou sua pistola e trocou tiros com os criminosos, baleando um deles. O suspeito foi levado para o pronto-socorro de São Mateus, mas chegou sem vida; o outro fugiu. Já o policial ficou ileso.

Na Praia Grande, litoral paulista, um sargento da PM e dois bandidos morreram, na noite de quarta-feira, 21, em dois confrontos ocorridos em Praia Grande, na Baixada Santista, litoral sul paulista. Segundo a polícia, ao ter a casa invadida por dois homens que tentaram se passar por investigadores, o sargento entrou em luta corporal com um deles. Tanto o policial como o criminoso foram baleados e morreram na Santa Casa. O outro suspeito conseguiu fugir, mas foi localizado pela PM em sua residência e, numa suposta troca de tiros com os policiais, também morreu.

Corpos Abandonados. Um pouco depois das 20h30, um homem foi executado na Rua da Glória, na Favela da Coca-Cola, no Jardim Padre Anchieta, na cidade de Diadema, no Grande ABC. A PM foi acionada por moradores que ouviram os tiros. Quando os policiais chegaram no local, encontraram a vítima caída em via pública, já sem vida. 

Em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, policiais militares encontraram uma pessoa ferida a tiros na Rua Ourinhos, no Jardim Senhora D'Ajuda. A vítima foi levada para o Hospital Santa Marcelina, onde permanecia internada. 

OUTROS CASOS

Franco da Rocha. No final da noite de quarta-feira, a motorista de ônibus Odete Lino dos Santos, de 36 anos foi assassinada durante o serviço na cidade de Franco da Rocha, região norte da Grande São Paulo. O crime ocorreu dentro de um dos coletivos da Viação Moratense. 

O ônibus saiu de Francisco Morato, cidade vizinha, e havia acabado de chegar no ponto final, na altura do número 1.200 da Avenida São Paulo, no Parque Paulista. Segundo testemunhas, um rapaz aguardou que o ônibus encostasse e disparou vários tiros contra Odete. Atingida por três tiros, ela morreu no pronto-socorro municipal de Franco da Rocha. 

Um dos disparos atingiu de raspão o braço esquerdo do cobrador, que foi atendido no mesmo hospital. O assassino fugiu. Parentes relataram à polícia que Odete havia discutido dias antes com o ex-marido. Localizado, ele prestou depoimento, negou a autoria do crime, e, como não foi localizada nenhuma testemunha que o reconhecesse, acabou liberado.

Vila Carrão. Por volta das 21h, o comerciante Francisco Vieira de Araújo, de 40 anos, dono de uma padaria, atirou contra um de seus clientes, mas atingiu dois, durante uma discussão dentro do estabelecimento comercial, localizado na Rua Manoel Veloso da Costa, no Jardim Vila Carrão, na zona leste de São Paulo. Marconi Cândido de Oliveira, o verdadeiro alvo do assassino, e Ronaldo Silva da Silva, ferido na perna por uma bala perdida, foram levados para o pronto-socorro do Hospital Geral de São Mateus, onde Oliveira acabou morrendo. 

Segundo a esposa do comerciante, que continua foragido, Marconi tinha o costume de ir até a padaria e chamar Francisco de "corno", afirmando que a qualquer momento iria levar a mulher do comerciante para a cama. Ao ouvir mais uma vez as mesmas palavras, Francisco pegou um revólver e disparou várias vezes contra Marconi.

Perus. Por volta das 2h desta madrugada, a moradora da casa número 408 da Rua José Correia Picanço, em Perus, zona norte da capital, acordou com os gritos de uma pessoa que vinham da garagem da residência. A dona da casa ao ir até a garagem, onde há um banheiro, encontrou uma mulher caída e degolada. Acredita-se que a vítima, ainda não identificada, foi perseguida pelo assassino e tentou escapar invadindo o local. O caso foi registrado no 33º Distrito Policial, de Pirituba.  

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