Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Região devastada supera área da cidade de SP

Imagens de satélite mostram que oito municípios fluminenses localizados em 2,3 mil km² tiveram deslizamentos e enchentes

BRUNO TAVARES, RODRIGO BRANCATELLI e MÁRCIO PINHO, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2011 | 00h00

Não é só pelo número de mortos que a tragédia da região serrana do Rio se configura como uma das piores da história do País. A extensão dos estragos provocados pelas chuvas também impressiona. Levantamento feito pelo Estado com base em imagens de satélite indica que municípios localizados em área de 2,3 mil km² sofreram, em maior ou menor grau, os efeitos de deslizamentos e enchentes. Tudo isso num só dia.

A área atingida é equivalente à extensão territorial da cidade de São Paulo, que tem 1.522 km², somada aos municípios de Guarulhos e São Bernardo. Oito municípios da região serrana foram diretamente atingidos, alguns com 80 km de distância entre si, quase 1/5 do Estado do Rio foi castigado.

A tragédia teve tamanha dimensão por uma série de fatores, que passam pela ocupação desenfreada das encostas, a ocorrência de morros com declives acentuados e muita água.

Segundo o professor da Unicamp Hilton Silveira Pinto, especialista em pesquisa meteorológica, a magnitude da chuva do Rio indica que vários fenômenos contribuíram para o estrago.

Ele explica que uma grande umidade vinda da Amazônia, favorecida por condição de muito calor e baixa pressão, se chocou com frente fria vinda da Região Sul. Isso criou grande quantidade de chuva - no Rio, a água caiu sobre uma região de serra, com invasões e encostas desmatadas, mais suscetível a deslizamentos.

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O geólogo e pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) Agostinho Ogura também destaca a confluência de fatores para a ocorrência de tempestade e com efeitos em uma área extensa. "A região é formada por cadeias montanhosas com pontos de mais de mil metros de altitude, que criam uma barreira para as nuvens. São locais que têm condições propícias para chuvas concentradas". Ele diz, porém, que o exemplo da catástrofe causada pelas chuvas de Santa Catarina, em 2008, com várias cidades atingidas, mostra que o fenômeno não é extraordinário e, portanto, não pode servir de desculpa para governantes.

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