Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Região da Avenida Paulista vive uma fase mais plural

Especialistas afirmam que programa Paulista Aberta e novos espaços potencializam influência cultural

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Por suas calçadas largas, a Avenida Paulista é local de passeio desde a criação. Antes, contudo, era restrita às elites. “Primeiramente funcionava quase como uma chácara, depois, com a inauguração dos serviços de bonde, aumentou a qualidade, com as mansões competindo para mostrar qual era mais bonita, tornando-se um polo de atração”, afirma o arquiteto Antonio Soukef, professor do Centro Universitário FIAM-FAAM. Da via, era possível avistar o centro e a zona oeste. “Praticamente todos os casarões tinham espaço de observação, com torreões.”

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Segundo Soukef, a via passa por uma nova fase, com o programa Paulista Aberta -que fecha a via para veículos aos domingos - e novos empreendimentos culturais, como o Instituto Moreira Salles, o Japan House e o Sesc Paulista (que deve ser reinaugurado em 2018). “É uma popularização, com a chegada também de grandes magazines e novas tribos”, diz.

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Para Volia Regina Kato, professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, “essa popularização veio também com as novas conexões do Metrô, com a Linha (4) Amarela e a extensão da Linha (2) Verde”. Segundo ela, a via está em convergência com a Rua Augusta, que não recebe o mesmo fluxo pelo espaço restrito aos pedestres.

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Olhares

Na opinião da comerciante gaúcha Vanessa Muccillo há um “glamour” em morar na Paulista. Mas antes de conhecê-la, ela tinha outra visão. “Imaginava um lugar totalmente comercial, de escritórios, o centro econômico de São Paulo”, conta ela. 

Moradora de um prédio na frente do Japan House, a arquiteta Mila Strauss, de 39 anos, frequenta a avenida “desde sempre” - ela mora no apartamento que era da avó. 

“Por mim, não passariam carros aqui nunca. No domingo, vira um grande parque linear”, diz ela, que observa um rejuvenescimento da população do entorno. “Pela qualidade das construções, pela facilidade de acesso, por ter apartamentos grandes e com uma vista de tudo - de protesto contra a guerra na Síria até passeatas contra abusos.” 

 

 

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