Região alagada em SP tem 9 casos suspeitos de leptospirose

Jardim Romano é castigado pelas enchentes desde último dia 8; famílias são cadastradas para deixar área

Fabiana Marchezi, da Central de Notícias,

18 de dezembro de 2009 | 14h36

 

SÃO PAULO - Ao menos nove moradores da região do Jardim Romano, na zona leste de São Paulo, estão com suspeita de leptospirose. A informação foi confirmada na tarde desta sexta-feira, 18, pela Secretaria Municipal da Saúde. A região está alagada desde o último dia 8, após o temporal que causou estragos em toda a cidade.

 

A Prefeitura iniciou na quinta-feira o cadastramento habitacional das famílias do Jardim Romano. Para deixar a região, os moradores vão receber uma ajuda de custo mensal, no valor de R$ 300, durante um período de seis meses a um ano. As famílias também deverão ser incluídas em um programa de moradia popular. Esse plano, no entanto, ainda não ficou definido.

 

O cadastramento está sendo feito de casa em casa por técnicos da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), que avaliam as condições de moradia e a documentação do proprietário. O primeiro cadastro ocorreu ontem, às 17 horas, na última residência da Rua Capachós, que está totalmente tomada pela água há pelo menos 10 dias. O morador poderá escolher o imóvel de sua preferência e fechar o contrato de locação. Se o valor superar os R$ 300 do bolsa-aluguel, terá de completar o valor.

 

A Sehab informou que vai monitorar os beneficiários para verificar se o dinheiro está, de fato, sendo usado para a moradia. Ainda ontem, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) visitou os bairros Chácara Três Meninas e Jardim São Martinho e retornou ao Jardim Romano, onde foi abordado por moradores que queriam discutir o cadastramento e as providências que serão tomadas em relação à água parada no bairro.

 

Questionado sobre a viabilidade da saída imediata das famílias que estão em casas alagadas, Kassab afirmou que aquelas em situação mais crítica vão ter prioridade, mas admitiu que nem todas serão atendidas em curto prazo. "O processo se inicia hoje (ontem) e são milhares de famílias. É um processo longo, que precisa ser feito com muita seriedade e cuidado", justificou.

 

A moradora Rosineide Santos, de 37 anos, explicou a Kassab que sua casa "é uma das primeiras", perto do rio e continua alagada. A situação a obrigou a deixar as filhas na casa de uma amiga. Kassab disse que ela podia "ficar tranquila e confiar" que seria uma das primeiras a receber o bolsa-aluguel, que será pago, segundo ele, até a entrega da moradia definitiva para os moradores. "Senhor prefeito, se eu não receber o vale aluguel a partir de hoje (ontem), vou pegar as minhas filhas e o resto das minhas coisas e acampar na frente da Prefeitura", replicou Rosineide.

 

"Não tem plano operacional que possa atender simultaneamente a 7 mil famílias. A remoção será gradativa", completou o subprefeito de São Miguel Paulista, Milton Persoli. "Estamos oferecendo a transferência para alojamentos de emergência para atender a essa primeira situação. Alguns moradores não querem deixar a área, têm apreço pela casa e pelos vizinhos", observou Persoli. Segundo ele, o cadastramento de famílias também será feito nos alojamentos.

 

A Defesa Civil Estadual também vai instalar uma tenda médica e outra odontológica no bairro para atender casos emergenciais de pessoas doentes. Muitos moradores, entre adultos e crianças, transitam em meio à água suja e parada, sem proteção, há pelo menos dez dias.

 

(Com Ana Bizzotto e Isis Brum, de O Estado de S. Paulo)

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