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Reforma vai trocar piso e iluminação do Mercadão

Maior intervenção será no mezanino, campeão de visitação do local, que está com as placas do chão de vidro soltas e estilhaçadas

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2011 | 03h03

A Prefeitura contratou o escritório de arquitetura Pedro Paulo de Melo Saraiva para realizar uma nova reforma no Mercado Municipal de São Paulo. A maior intervenção será a troca do piso do mezanino, que está com placas estilhaçadas e pedaços de vidros soltos. Ele será trocado por um de madeira e vidro fosco.

A obra está prevista para começar no primeiro semestre do ano que vem. Por causa da mudança, o restante do projeto de reforma inclui a alteração da iluminação do térreo, onde ficam cerca de 300 boxes. A mudança do piso foi autorizada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Mas o novo projeto será analisado pelo órgão.

As trincas no piso foram mostradas em reportagem do Estado em abril. Em seguida, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) anunciou a reforma. O mezanino de 2 mil m², não previsto no projeto original de 1933, custou R$ 16,9 milhões e foi construído em 2004, como parte de reforma executada pelo mesmo escritório contratado agora.

O projeto de reforma foi doado à Prefeitura. Em maio, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras chegou a abrir licitação para trocar o vidro do piso, mas a empresa vencedora desistiu do serviço no fim do processo. O custo inicial estimado era de R$ 350 mil - sem a mudança da iluminação.

"O novo piso terá placas de vidros entremeadas por piso de madeira. Vai existir uma mistura dos dois. Foi uma visão do arquiteto, imaginando que o mezanino poderia gerar uma transparência sobre o térreo", explica o supervisor-geral de Abastecimento da Prefeitura, José Roberto Graziano. "Mas o vidro será fosco, não vai existir essa transparência total."

Já o novo projeto de iluminação vai valorizar o reflexo colorido dos vitrais alemães em estilo gótico do Mercadão. "A nova iluminação vai gerar uma difusão de cores dos vitrais no chão, ficou um projeto bem inovador", conta o assessor técnico de Projetos da Prefeitura, Marcelo Bruni. Ele explica que o escritório da reforma de 2004 foi contratado "em respeito ao projeto da reforma original".

Remendos. Segundo comerciantes e usuários, o piso do mezanino estilhaça sempre que qualquer objeto como um saleiro ou copo cai no chão. Hoje, é possível ver pontos do piso cobertos com remendos de borracha. O visual do piso também se deteriorou bastante nos últimos dois anos com as rachaduras.

"Todo dia, tem pedaço de vidro soltando. Qualquer chave que cai no chão já trinca o piso. É uma pena que a troca já não tenha sido feita no meio do ano", diz Geraldo Linhares, de 45 anos, gerente de uma lanchonete que funciona no mezanino. Outros comerciantes ouvidos pela reportagem apoiam a substituição do piso de vidro.

Responsável por projetar o mezanino e também pela nova reforma, o arquiteto Pedro Paulo de Melo Saraiva ressalta que, pelo projeto inicial, as mesas e cadeiras dos restaurantes não deveriam ser colocadas sobre o piso de vidro. "Esse posicionamento ajudou a causar as rachaduras. Pelo projeto original, essa parte deveria ser só de passagem", argumenta.  

 

PARA LEMBRAR

1º projeto foi feito em 1933

Desde sua criação, na reforma de 2004, o mezanino do Mercado Municipal, na região central de São Paulo, se tornou o ponto mais visitado de todo o espaço.

Pelo local, onde há de barraca de temakis a restaurante árabe, passam cerca de 7 mil pessoas por dia.

A estrutura elevada sobre as barracas de frutas foi a maior mudança no projeto original de 1933, feito pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo - o mesmo que fez o desenho do Teatro Municipal paulistano.

O Mercadão tem 12.600 m² de área e pé-direito de 16 metros. Nos boxes, é possível encontrar de grãos a chocolates, de vinhos a embutidos - além do tradicional sanduíche de mortadela.

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