Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Reforma vai ampliar casa de Oscar Americano

Carlos Bratke assina revitalização de imóvel histórico projetado por seu pai no Morumbi

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2011 | 00h00

Tal pai, tal filho. Seis décadas depois da construção da casa projetada por seu pai, Oswaldo Arthur Bratke (1907-1997), o também arquiteto Carlos Bratke é o encarregado agora da grande reforma e ampliação que sofrerá a casa do Morumbi onde funciona, desde 1974, a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano. "É uma bruta responsabilidade emocional", admite Carlos. "Mas está sendo uma experiência muito gostosa."

A casa de 1,5 mil metros quadrados ganhará anexos e a piscina será transformada em um espelho d"água que funcionará como claraboia para um grande salão de eventos e exposições no subsolo. Também serão construídos um auditório para 300 pessoas e um salão de chá. "A Fundação ganhará em importância como centro cultural", vislumbra o arquiteto.

Carlos Bratke levou seis anos para concluir o projeto - com muitos ajustes, acertos e trâmites burocráticos até chegar à forma atual, que deve sair do papel. A obra, orçada em cerca de R$ 35 milhões, deve ser bancada por patrocinadores da iniciativa privada e ser iniciada no primeiro semestre do próximo ano.

História. Oswaldo Bratke era amigo de infância de Oscar Americano (1908-1974). E foi um dos primeiros moradores do Morumbi - sua casa era vizinha ao terreno onde seria erguida a residência dos Americanos.

O imóvel é considerado um dos mais primorosos trabalhos de Bratke: moderno, com linhas clássicas, espaços generosos e integração com o imenso parque de 75 mil metros quadrados do "quintal".

"Eu era criança, tinha meus 10, 12 anos, quando a casa estava sendo erguida. Lembro-me de que pulava a cerca e ia lá brincar. Houve um cuidado muito grande na confecção do jardim", conta Carlos, que nasceu em 1942.

O paisagismo ficou a cargo de Otávio Teixeira Mendes. O contrato expressava que seus serviços seriam pagos "por árvore de qualidade, plantada e vingada". "Ele era diretor do Horto Florestal, então tinha facilidade de conseguir mudas geneticamente melhores", revela Carlos. Mendes montou um viveiro nos fundos do terreno, mandou vir mudas de vários Estados brasileiros e fez todo o trabalho em cerca de um ano. No total, vingaram 25 mil árvores.

Acervo. A família Americano viveu na casa por 20 anos, a partir de 1954. A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano foi instituída em março de 1974. Seis anos depois, a residência foi aberta aos paulistanos. Não só a casa, como também o parque e a parte histórica da coleção pessoal dos Americanos: um acervo constituído por pinturas de várias épocas, desde o século 18, mobiliário, prataria, porcelana, tapeçaria e arte sacra.

OS NOMES

MARIA LUISA e OSCAR AMERICANO

Oscar Americano nasceu em São Paulo em 1908. Participante da Revolução Constitucionalista de 1932, casou-se com Maria Luisa em 1937. Formado em Engenharia pelo Mackenzie, ele trouxe dos Estados Unidos uma série de técnicas. Executou as Vias Anchieta, Anhanguera, Dutra, Castelo e Imigrantes, além de uma série de barragens e trechos para a Rede Ferroviária Federal, a Sorocabana e a Mogiana (posteriormente denominada Fepasa).

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