Reforma mais aguardada é a da Vila Itororó

Os planos da Prefeitura e do governo do Estado preveem mais mudanças para o Bexiga nos próximos anos. O Metrô tem projeto de abrir uma nova estação, da futura Linha 6-Laranja, na Praça 14 Bis, prevista para os próximos quatro anos. Já a Prefeitura deve fazer um piscinão para combater as enchentes da Avenida 9 de Julho e da Rua 13 de Maio.

, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2010 | 00h00

Mas a obra mais aguardada no bairro é a recuperação da Vila Itororó, um dos marcos arquitetônicos do centro. É formada por um palacete surrealista e 37 casas, construídas entre 1922 e 1929. Diferentemente das construções da época, tem os quintais voltados para a frente das casas.

A Vila deverá dar lugar a um centro cultural com cinema e biblioteca. As obras estão programadas para começar em janeiro, após a remoção das famílias que vivem na área. Elas vão para um prédio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) que está em construção na Bela Vista. Mas a previsão é que a remoção só termine em maio.

Perfil. Os cortiços do Bexiga são ocupados por moradores de baixa renda e há pelo menos mil famílias que recebem auxílio do programa federal Bolsa-Família, segundo as entidades que atuam na região. Boa parte das construções é do início do século e está caindo aos pedaços.

"Não queremos, de forma alguma, que esses moradores vão embora. Eles são a alma do bairro", diz a diretora do Museu do Bexiga, Valkiria Iacoca. "Na festa de Nossa Senhora de Achiropita, são eles que servem as fogaças."

Paulo Santiago, da Associação Novolhar, diz que há quase mil imóveis tombados na área - esse seria, aliás, um dos motivos de o Bexiga ter mantido os pequenos imóveis enquanto os bairros vizinhos eram verticalizados. Mas a falta de informações sobre o processo de tombamento seria uma das causas da degradação. "As pessoas não sabem, mas quando um imóvel é tombado o proprietário pode ver qual seria o potencial construtivo daquele lugar e vender esse potencial para uma imobiliária. Mas isso não acontece", explica Santiago.

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