Reforma em Guarulhos será antecipada para segunda-feira

Ministro da Defesa anunciou a medida durante entrevista coletiva concedida no Aeroporto Salgado Filho

Elder Ogliari, do Estadão,

15 de agosto de 2007 | 15h58

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou mudanças no cronograma das obras na pista principal do aeroporto de Guarulhos. A reforma dos 1,4 mil metros do segmento central, que exige a suspensão de pousos e decolagens, terá seu início antecipado do final do ano para a próxima segunda-feira, 20 de agosto, e deve estar pronta no dia 10 de outubro.   A decisão de mudar o calendário da intervenção foi tomada nesta quarta-feira, 15, pelo governo federal e tornada pública por Jobim em entrevista coletiva concedida depois de ter feito uma vistoria no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. A pista de Guarulhos tem buracos e fissuras de até 8 centímetros. A superfície será removida e substituída por uma camada de asfalto betuminoso a quente.   A intenção do Ministério da Defesa e da Infraero é evitar obras na época de maior trânsito de passageiros, de dezembro a março. Inicialmente, o cronograma previa a troca do piso de uma das cabeceiras até outubro e de outra cabeceira até dezembro. O trecho central, o único que requer a transferência das operações dos aviões para outra pista, seria reformado no início de 2008, exatamente no período de férias.   No novo calendário de obras, a primeira intervenção será feita no trecho central. Segundo Jobim, não haverá necessidade de reduzir operações no aeroporto de Guarulhos. Nesse período, os pousos e decolagens serão feitos na pista secundária, mas poderá haver algumas mudanças de horários.   Na segunda etapa, de 11 de outubro a 30 de novembro, a reforma passa para um trecho de 1,2 mil metros na primeira cabeceira, que será interditada. Como o restante da pista - trecho central e segunda cabeceira - ficará liberado, os aviões poderão voltar a aterrissar e decolar num espaço de dois mil metros. No início de dezembro toda a extensão da pista, de 3,7 mil metros, será liberada.   A reforma de mais 1,2 mil metros próximos à cabeceira dois será iniciada em abril do ano que vem. "Com isso temos condições de evitar atropelos no final do ano", comentou Jobim.   Congonhas   Na mesma coletiva, Jobim também anunciou a antecipação do final das obras de implantação de ranhuras na pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A partir desta quinta-feira, os turnos de trabalho, que é feito durante a madrugada, terão três horas a mais. A previsão para a liberação total da pista passou de 25 de setembro para 6 de setembro.   Empresas   Ao falar sobre a situação dos aeroportos brasileiros, Jobim voltou a demonstrar disposição de endurecer suas relações com as empresas aéreas, se necessário. "Vamos deixar claro que quem decide a situação dos aeroportos é o governo e a Infraero e que as empresas ajustam-se", afirmou. "Nós não vamos tomar nenhuma decisão no que diz respeito à segurança da perspectiva da rentabilidade das empresas, mas sim da perspectiva absoluta da segurança do cidadão".   Na terça-feira, o ministro havia qualificado de "terrorismo" o aviso dado pelas companhias de que o preço das passagens vai aumentar se elas forem obrigadas a reduzir número de vôos e ampliar espaço entre as poltronas dos aviões.   Durante a vistoria no Salgado Filho, Jobim chegou a pedir informações aos administradores locais da Infraero sobre a necessidade da instalação do equipamento ILS Categoria 3 C, capaz de guiar um avião até o solo em situações de neblina. Ao saber que isso demandaria investimentos altos das empresas no sistema de navegação dos aviões e em treinamento dos pilotos, disse que, se fosse o caso, as companhias teriam de se adaptar. Mas abrandou o discurso ao ser informado de que o ILS 3 reduziria em apenas 10% o tempo anual de suspensão das operações do Salgado Filho por neblina. "Isso poderá ser objeto de análise no futuro", comentou.   Por enquanto, há previsão de instalação do ILS 2 até abril do ano que vem. O equipamento vai permitir pousos e decolagens com visibilidade horizontal de 400 metros e vertical de 30 metros. Por enquanto, com o ILS 1 as operações são autorizadas com visibilidade horizontal de 800 metros e vertical de 60 metros. Se já contasse com o equipamento em 2006, o aeroporto teria ficado fechado 200 horas em vez de 280 horas ao longo do ano.   Em visita de quase duas horas, Jobim percorreu o saguão e as salas de embarque, foi até a pista e observou as instalações de desembarque do aeroporto gaúcho, anotando tudo num bloco de papel amarelo. A primeira ação será negociar com a Justiça o desbloqueio dos espaços que a Varig ocupa no balcão de check-in e na ala de lojas do aeroporto, considerados demasiados para o atual volume de operações da empresa e necessário para ampliação dos serviços de outras companhias.   O gargalo do aeroporto de Porto Alegre deve ser resolvido a partir do ano que vem. A pista deve ser ampliada dos 2,28 mil metros para 3,2 mil metros e já conta com projeto para isso. Mas antes os governos estadual e municipal devem transferir 1,1 mil famílias de moradores da Vila Dique e mais 1,4 mil famílias da Vila Nazaré, localizadas perto da cabeceira leste.   Matéria ampliada às 20h32

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