Reforma é paga por Denarc com carro e dinheiro

A reforma do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) virou um caso de polícia. Ocorrida em fevereiro de 2009, ela foi paga em dinheiro vivo - dólares e reais - e até um carro usado: uma Montana 2007, avaliada em R$ 28 mil. Quem recebeu de funcionário[ ]s do Estado dessa forma para executar a obra foi o empr[/ ]esário Wandir Francisco Falsetti, de 50 anos, dono da Arte Nossa Soluções para Home & Office Ltda.

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

A empresa de Falsetti já havia trabalhado para a Secretaria da Segurança Pública durante seis meses em 2008 antes de ser apresentada, segundo ele, por dois arquitetos da secretaria ao então diretor do Denarc, delegado Everardo Tanganelli Junior. Alegando urgência, o delegado acertou com o empresário o começo imediato da obra. Falsetti disse ao Estado que nenhum contrato foi assinado, nem ele participou de qualquer procedimento licitatório para a obra de R$ 200 mil.

"Tudo foi feito na base da confiança", disse. O empresário arrumou funcionários que trabalharam em três turnos. A obra foi concluída em 15 dias. Ela consistiu na reforma interna do prédio, no Bom Retiro, na região central, para onde o departamento se mudou depois de deixar o edifício que ocupava no Butantã, na zona oeste. Falsetti fotografou tudo, inclusive a visita à obra feita pelo então delegado-geral Maurício Freire - as fotos estão em poder da Corregedoria da Polícia Civil, que apura o caso.

Falsetti foi pago de forma inusitada. Recebeu três parcelas de R$ 10 mil, segundo ele, das mãos de investigadores de três delegacias diferentes do Denarc. "Fizeram uma vaquinha." Uma quarta parcela de R$ 3 mil foi paga por outra delegacia. A chefia dos investigadores do Denarc lhe entregou a Montana e a direção do Denarc lhe repassou R$ 20 mil.

Em abril de 2009, quando a direção do Denarc foi alterada, Falsetti ficou na mão. A polícia ainda lhe devia R$ 120 mil. Ele procurou Tanganelli e este o teria levado ao delegado Marcus Vinícius, chefe da Assessoria Policial para Assuntos Financeiros e Orçamentários da Delegacia Geral de Polícia (Apafo). Ali, na Apafo, Vinícius lhe teria dado mais R$ 40 mil em dinheiro e sem recibo - ele nega. Os pagamentos cessaram em setembro. O empresário procurou o gabinete do secretário da Segurança. "Quero receber pelo serviço que fiz", disse. Ao saber do ocorrido, o secretário Antônio Ferreira Pinto determinou a abertura de inquérito.

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