Reforma dará nova cara ao Parque da Água Branca

Com mais iluminação e novo paisagismo, área verde ficará aberta até as 22 horas e deve ganhar ainda miniteatro e sala de concerto

Valéria França, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2010 | 00h00

Faz apenas um mês que a primeira-dama paulista, Deuzeni Goldman, de 59 anos, assumiu a direção do Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo (Fussesp), com sede no Parque da Água Branca, na zona oeste, mas já planeja grandes mudanças no local. O parque é famoso pelos pavões, galinhas e gatos espalhados por suas alamedas, o que teria incomodado Dona Deuza, como é chamada pelos assessores.

A primeira-dama também tem outras reclamações sobre a infraestrutura do lugar. "O parque está abandonado, com troncos caídos, mato crescendo, bancos quebrados e espaços mal aproveitados."

Deuza resolveu colocar ordem na casa. E, para isso, tem um plano de revitalização do parque que está a todo vapor. Além de repaginar o visual com um projeto de paisagismo e a troca do mobiliário - saem os bancos de cimento; entram outros de madeira, além de mesas com ombrelones -, a reforma mexe com a organização do espaço. E isso vem causando polêmica.

Dos itens do plano de revitalização, a criação da praça de alimentação é a que está mais avançada. O espaço físico já está pronto. Um antigo galpão destinado a cursos e encontros foi reformado e equipado para receber cinco marcas do setor alimentício. "A ideia é ter uma comida típica, mais rural", diz Deuza, que já está tocando uma licitação.

"Não queremos uma praça de alimentação igual a de um shopping", reclama Cândida Mendes Meirelles, de 53 anos, da Associação dos Ambientalistas e Amigos do Parque da Água Branca. "Moro no prédio vizinho ao parque há 18 anos. E acho que as barraquinhas podem ser uniformizadas, não retiradas."

"Nós estamos muito à margem da reforma. Nada foi perguntado", diz Cândida.

Há 15 anos com um quiosque de café orgânico no parque, Thais Teixeira, de 48 anos, está insegura com as mudanças. "Não sei se vou continuar trabalhando aqui. Ninguém informa nada." O café funciona às terças-feiras, sábados e domingos, das 6 horas às 12 horas, período em que a feira orgânica fica aberta.

Deuza não abre muito o jogo e segue com os planos. Conseguiu 50 voluntárias para limpar o jardim enquanto o projeto paisagístico não fica pronto. Ela ainda pediu reforço de segurança para a Polícia Militar. "Em breve uma nova iluminação vai permitir que o parque fique aberto até as 22 horas", conta Deuza.

Animais. Mas o que será das galinhas, dos patos, gatos e pavões? Nesse quesito, associação e primeira-dama concordam. "Eles devem ficar num espaço mais restrito, para que recebam cuidados", diz Cândida, acostumada a encontrar as galinhas na porta de seu prédio. "A população de animais saiu do controle e os frequentadores dão qualquer coisa para eles comerem."

Os saguis são os mais alimentados, por crianças e idosos. "Os pavões costumam fugir", diz Júlio César Siqueira, funcionário do parque. "E os vizinhos reclamam da gritaria que eles fazem."

 

O QUE TEM LÁ

Animais

Nunca foi feito um censo sério dos animais do parque. Sabe-se, no entanto, que o número de gatos chegou a passar dos 400. Hoje, a população está mais controlada. Estima-se que existam 13 galinhas para cada galo. O número de pavões também saiu do controle. Vizinhos reclamam da gritaria das aves, outros arriscam a vida subindo nos telhados das casas para salvá-los quando fogem do parque. Os animais devem ter a circulação restrita

Espaço do idoso

Foi criado pelo Fundo Social e é pioneiro. Tem 400 metros quadrados, com seis estações de exercícios. Será ampliado

Pergolado

Construído no início do século, de concreto e ferro, o pergolado está abandonado. A estrutura será reformada para abrigar recitais ao ar livre

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