Reforma da sede do Arquivo de SP enfim sai do papel

Obras no Edifício Ramos de Azevedo, no centro, estavam paradas desde 1992 e devem acabar com diversos problemas estruturais

EDISON VEIGA , RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

05 Março 2012 | 03h03

Paralisada por 20 anos, a reforma do interior do edifício-sede do Arquivo Histórico de São Paulo será retomada neste semestre. O imóvel é importante por abrigar obras, projetos, jornais e mais de 4,5 milhões de documentos históricos relacionados à cidade e estava com diversos problemas estruturais, como trincas nas paredes e no forro, vazamentos, manchas e falta de acessibilidade. As obras estão orçadas em R$ 2,9 milhões.

A reforma interna será a segunda fase da revitalização do Edifício Ramos de Azevedo - o nome é uma homenagem ao engenheiro-arquiteto que o projetou, Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928). O prédio fica na Praça Coronel Fernando Prestes, 152, centro.

Na primeira etapa da reforma, concluída em janeiro de 2009, a fachada foi recuperada. A intenção agora é melhorar as condições para abrigar o acervo da instituição e resolver problemas estruturais antigos que ficaram pendentes desde 1992 - uma reforma iniciada dois anos antes foi abandonada incompleta, situação que perdura até hoje.

"Os problemas são no prédio. O acervo não corre nem correu risco de maneira alguma", frisa a diretora da instituição, Liliane Schrank Lehmann. "E agora algumas áreas terão uma ventilação forçada, mais apropriada para conservar certos documentos."

A Secretaria Municipal de Cultura lançou o edital para as obras na semana passada. Entre os trabalhos previstos estão o restauro do piso e do forro, a pintura do saguão, instalação de um novo sistema de ventilação e obras para tornar todo o edifício acessível para deficientes.

A sessão de abertura dos envelopes com as propostas está marcada para 4 de abril. Como as obras têm duração prevista de um ano, a ideia é que sejam concluídas em meados do ano que vem, já na gestão do próximo prefeito.

"As condições de trabalho dos funcionários e o atendimento ao público serão melhorados", avalia o historiador Luís Soares de Camargo, funcionário afastado do Arquivo e atual Secretário de Cultura de Itatiba. "Afinal, o assoalho está problemático e há infiltração no telhado. A reforma é importante porque o Arquivo Histórico é o guardião da memória do Município."

Edifício Ramos de Azevedo. O prédio-sede do Arquivo Histórico Municipal começou a ser construído em 1908 e é dotado de características arquitetônicas ecléticas. Em 1920, foi inaugurado oficialmente, para abrigar o Gabinete de Mecânica Aplicada e Eletrotécnica da Escola Politécnica de São Paulo. É tombado por órgãos de proteção ao Patrimônio nas três esferas - municipal, estadual e federal.

O imóvel foi adquirido pela Prefeitura em 1987. Entre 1990 e 1992 passou por obras de adequação para abrigar o Centro de Conservação e Restauro e Centro de Referência da Memória Paulistana que abrigariam os acervos da Divisão do Arquivo Histórico Municipal e do Arquivo de Negativos, laboratórios de restauração e conservação dos diversos suportes que constituem os acervos do Departamento do Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura, além de Centro de Referência sobre a história e a memória da cidade.

Desde sua criação, no fim do século 19, o Arquivo Histórico Municipal ocupou vários imóveis na cidade e mudou para o atual endereço em 2000. 

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