Reforço policial em aeroporto revolta familiares de vítimas

A chegada de cerca de dez homens do Batalhão deOperações Especiais da Brigada Militar ao aeroporto Salgado Filho, em< Porto Alegre (RS), por volta de 21h30, revoltou familiares que aguardavam informações sobre o acidente com o vôo 3054 da TAM, que derrapou após pousar em Congonhas (SP), no final da tarde, atravessou a avenida Washington Luiz e bateu num prédio da companhia. O reforço policial foi instalado dentro da sala do programa de assistência a vítimas de familiares montada pela Infraero no aeroporto. A presença dos policiais revoltou os familiares, já cansados de esperar informações da companhia aérea sobre o nome dos passageiros que embarcaram. Os acidentes mais graves da aviação brasileira Galeria de fotos Tudo sobre o acidente da TAM Alguns familiares criticaram a ação afirmando que esperavam informações, mas em vez disso, "botavam polícia". A TAM propôs que os familiares deixassem com a empresa o número do telefone e o nome do passageiro que poderia ter embarcado, prometendo informações posteriormente. Cerca de cem pessoas foram ao aeroporto em busca de dados sobre os passageiros. O empresário Luiz Moisés, 34, recebeu mensagem no celular às 17h05 da mulher, Nádia, avisando que tinha embarcado e soube do acidente, pela televisão, às 19h30. Mesmo com o pedido da companhia para que aguardassem informações em casa, disse que irá permanecer no aeroporto.A cunhada de Nádia, Laura Fernandes, disse que "essa gente não tempreparo nenhum". Outra pessoa reclamava que "botaram policiais na nossacara como se nós fôssemos criminosos". O executivo Sérgio Chisini tinha viagem programada para este vôo, mas não conseguiu embarcar por um erro da agência de viagem e estava preocupado com um colega. "Levei um choque e, ao mesmo tempo, nestas horas temos que acreditar que tem um ser superior. Deus deve ter me poupado para que eu cumpra alguma coisa depois", disse, chorando, sem revelar o nome do colega, porque ainda guardava alguma esperança de que não estivesse no vôo.No saguão do aeroporto, o clima era silencioso esta noite, em vez do tradicional burburinho cotidiano. O aposentado Getúlio Luz, de 69 anos, disse que o genro João Roberto Brito teria embarcado neste vôo. "Estamos todos desesperados, estamos a ver navios e ninguém nos dá informação." A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), cancelou a agenda desta quarta-feira, 18, e pediu aos secretários para que permaneçam em Porto Alegre.O governo estadual ainda informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou a viagem que faria ao Estado na quinta-feira, 19, para anunciar obras de saneamento e habitação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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