Reforço pode ajudar a tirar frota irregular das ruas

Especialistas ouvidos pelo Estadão acreditam que um terço dos carros que rodam na capital estão irregulares

Alexssander Soares e Humberto Maia Junior , Estadão

26 de setembro de 2007 | 10h32

O reforço de 1.375 policiais militares na fiscalização de 1.011 pontos do trânsito da capital paulista, anunciado na terça-feira pelo governador José Serra (PSDB), pode ajudar a diminuir a frota de veículos irregulares das ruas da cidade. Especialistas estimam que um terço da frota em São Paulo rode em condições irregulares de documentação, seja do veículo ou do condutor.  "A fiscalização intensiva reduziria a poluição, melhoraria a fluidez ao retirar os veículos velhos e sem licenciamento e ajudaria na prevenção de acidentes", afirma Flamínio Fichmann, consultor de engenharia de tráfego. Cinco anos após a extinção do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), na capital paulista, a Polícia Militar de São Paulo recriou um grupo especializado para a área. Pelo projeto, 1.375 PMs serão divididos em 365 carros para fiscalizar os locais com maiores índices de criminalidade e problemas de fluidez de tráfego. "O esforço é positivo, mas deve ser aprimorado. Após a extinção do CPTran (Comando de Policiamento de Trânsito), criou-se um vazio na fiscalização das condições dos veículos, sua documentação e dos motoristas. O agente da CET (Companhia de Engenharia de Trânsito) não tem atribuição legal para fiscalizar o veículo ou o condutor, só atuando em algumas infrações de trânsito", diz Fichmann. No entanto, especialistas em engenharia de trânsito ouvidos pelo Estado fazem uma ressalva sobre o programa: a missão de melhorar a fluidez do trânsito e combater a criminalidade deve ser acompanhada por rigorosa ação de fiscalização dos documentos dos veículos e de condutores. Para o engenheiro Francisco Moreno Neto, ex-gerente de Planejamento e de Engenharia de Tráfego da CET entre 1976 e 1983, a chegada de 1.375 policiais para o Programa de Policiamento de Trânsito terá efeito maior no combate à criminalidade do que em relação ao ganho de fluidez no tráfego. "Quando o trânsito estiver congestionado, eles vão é querer que os veículos andem e não fiquem parados em blitze." Ele ressaltou que pretende aguardar o início das operações por "duvidar" que os policiais indicados para atuar nos 1.011 pontos façam efetivamente uma fiscalização do estado de conservação dos veículos e de sua documentação. Para Horácio Augusto Figueira, consultor em trânsito e transporte, a volta dos policiais ao trânsito é uma excelente notícia. "A CET não tem quadro suficiente para atuar na cidade", afirma.

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