Jessica Aquino
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Reforço de catamarã melhora travessia, mas preocupa prefeitura de Ilhabela

Embarcação foi colocada como reforço no serviço de balsas após muita reclamação de visitantes e moradores sobre espera na fila, que chegou a durar 7 horas no fim do ano passado

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2019 | 09h50
Atualizado 21 de janeiro de 2019 | 23h13

SOROCABA –   A travessia entre São Sebastião e Ilhabela, litoral norte de São Paulo, ganhou um reforço no último sábado. O acréscimo de um catamarã reduziu o tempo na fila de espera das balsas, mas criou uma preocupação extra ao poder público local: agravar o trânsito na ilha. Motivo de queixas de turistas todo verão, esse deslocamento foi alvo até de ação do Ministério Público Estadual na Justiça este mês. A gestão João Doria (PSDB) pretende conceder o serviço de balsas à iniciativa privada.

O catamarã foi incluído pela Secretaria Estadual de Transportes para transportar ciclistas e pedestres. A retirada desses dois grupos aumenta em 25% a capacidade para levar veículos das balsas, que apresentam constantes problemas de lotação, atrasos e manutenção. No fim do ano, a fila pelas embarcações chegou a sete horas. 

Na sexta-feira, a espera era de quatro horas e caiu para pouco mais de uma hora no dia seguinte. Tradicionalmente, sextas têm mais movimento, então só no fim da semana será realmente possível medir a mudança. 

Além disso, por causa da ação da Promotoria, a Justiça, deu na quinta-feira passada, prazo de 15 dias para que a Dersa, estatal que cuida da travessia, mantenha pelo menos sete balsas em operação nos períodos de pico.

O agrimensor José Luiz de Oliveira, de Araçoiaba da Serra, no interior paulista, já viu diferença. Ele esperou três horas e meia para fazer a travessia na sexta. “No sábado, precisei ir ao continente buscar uma parte da família e foi rápido: meia hora na ida a São Sebastião e 50 minutos no retorno à ilha”, conta. 

Já a empresária Sílvia Duarte, de Sorocaba, que estava em Ilhabela neste sábado, disse que o catamarã não ajudou muito para quem vai de carro. “O barco melhorou para quem está a pé, pois vai em condição melhor do que ia na balsa, exposto ao tempo”, diz. “São, no mínimo, três horas de fila”, continua.

Para o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Ilhabela, Ricardo Fazzini, o novo serviço “vai agravar a questão de mobilidade dentro da cidade. “Soluciona um problema, mas cria outro”, afirma. 

“Temos frota interna de 8 mil veículos, mas chegamos a receber outros 27 mil em feriados. Se enfileirar todos, dá 600 quilômetros”, acrescenta. A prefeitura vai contratar estudo para propor soluções de mobilidade. Para Silvia Duarte, é preciso ter mais transporte coletivo para dispensar o carro . “E os estacionamentos em São Sebastião são caros”, reclama ela.

Conforme a Dersa, nos primeiros quatro meses, o catamarã será gratuito. No primeiro fim de semana, a embarcação transportou 2.376 pedestres, além de 272 bicicletas. Uma segunda embarcação do mesmo tipo está sendo reformada para se juntar à frota, mas o início da operação ainda não tem data. 

A Dersa disse ainda que ainda não foi notificada da decisão judicial sobre o transporte e que a oferta do catamarã não tem relação com a ação da Promotoria. Segundo a estatal, já operam sete balsas – em novembro, duas ficaram sem operar para manutenção. Disse também que está reformando uma oitava balsa, com capacidade de 40 veículos, para complementar o serviço.

Concessão

A Secretaria de Transportes informou ter iniciado estudos para a concessão à iniciativa privada de todo o serviço de balsas administrado pela Dersa, mas ainda não há detalhes sobre o formato que deve ser adotado. “Vamos conceder o serviço e utilizar recursos privados para modernizar o transporte, reduzindo essa espera”, chegou a escrever Doria, no Twitter, em 15 de novembro. 

A concessão, diz a pasta, incluirá o serviço que transporta pedestres, ciclistas e veículos de São Sebastião a Ilhabela. A Dersa também opera serviços de balsas em outras cidades, como entre Santos e Guarujá e Cananeia e Ilha Comprida. 

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