Refém foi baleado rendido, com mãos para cima, diz família

Professor, morto em uma operação policial, teria sido confundido com ladrões; para delegado, tiro pode ter vindo de bandidos

Chico Siqueira / ARAÇATUBA e Rene Moreira / FRANCA , Especiais para o Estado, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2014 | 02h08

O professor Silmar Madeira, de 31 anos, foi morto a tiros durante uma operação policial no fim de semana em Itamonte, em Minas Gerais, mesmo depois de sair do carro com as mãos levantadas. A versão foi apresentada pelo sargento Geovani Antonio Alves Madeira, irmão da vítima. "Uma testemunha nos contou que ele saiu do carro com as mãos para cima", disse. "Meu irmão foi confundido com um dos bandidos, mas ele era o único que não usava luvas, nem máscara, e estava com um carro velho."

As Polícias Civis de São Paulo e de Minas Gerais descartaram ontem que o professor fosse ligado à quadrilha de assaltantes que atacava caixas eletrônicos nos dois Estados. Para o delegado do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) Ruy Ferraz Fontes, o tiro que matou o professor pode ter partido dos bandidos. De acordo com ele, a vítima foi atingida nas costas, um sinal de que o professor pode não ter sido morto por policiais.

O sargento viu o corpo do irmão na manhã de sábado, no Instituto Médico-Legal de São Lourenço, onde foi realizada a autópsia. "Quando cheguei ao IML, o médico me disse que ele havia levado de quatro a cinco tiros pelas costas, mas vi que dois tiros transfixaram seu corpo pelo ombro."

Mesmo com o professor já identificado, a polícia continuou a considerá-lo como um dos bandidos, o que revoltou a família. "Quando cheguei lá (na delegacia), era só euforia, e meu irmão era dado como um dos bandidos, mesmo portando documentos e com o carro dele já identificado. Nós ficamos atordoados com isso", afirmou o sargento.

Inocência. Agora, com o reconhecimento da inocência por parte da polícia, a família disse estar aliviada. "Isso não vai trazê-lo de volta, mas pelo menos ele não ficará conhecido como bandido", disse Adélia Madeira, mãe do professor. Ela contou que o filho, além de trabalhar numa empresa de segurança, era coordenador de uma escola e ainda lecionava em outra. Ele deixou duas filhas. Ontem, amigos fizeram uma corrente de orações em uma das escolas em que Madeira trabalhava.

Refém. O professor foi pego como refém quando deixava a casa da namorada, em Itamonte. Os bandidos obrigaram a vítima a seguir em direção à estrada. A cerca de 1,5 quilômetro da cidade, na BR-354, um cerco da polícia bloqueou o Pálio que o professor conduzia e todos ocupantes foram baleados e mortos.

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